A transferência para o Coxa é destas histórias do futebol recheadas de ironias e vacilos. Às 22h do dia em que encerrava o prazo de inscrição de jogadores para disputar o Campeonato Paranaense, Paulo Vecchio estava treinando no Joaquim Américo sem saber se ia ser contratado ou não. Estava perdendo a esperança de disputar o campeonato daquele ano. ‘O pessoal do Atlético não me dizia nada e eu estava apreensivo’, diz. Aí o telefone tocou na secretaria do clube – era uma ligação para ele. Ninguém se preocupou, porque era voz de mulher. Ele foi atender e a garota disse: ‘Paulo, aqui é a secretária do Munir Caluf, aqui do Coritiba. Faça de conta que é tua mulher. Eu vou passar o telefone pra ele’. O jogador atendeu e disse: ‘Que foi meu bem? O que está acontecendo?’. No outro lado da linha, Munir respondeu: ‘Meu bem, o cacete! Negócio seguinte: você já assinou com o Atlético?’. Paulo Vecchio respondeu: ‘Ainda não’. ‘Então não assina que nós vamos te comprar. Vá para a Rua XV que estou te esperando. A gente vai junto para Santa Catarina. E de avião’.

Paulo Vecchio pegou os seus documentos em cima da mesa da secretaria, abriu a porta e foi encontrar Munir Caluf. ‘Ele estava me esperando com uma mala 007, com o dinheiro dentro. Pegamos um avião, fomos para Criciúma. À noite eu era do Coxa”.