Uma vendedora de Santo Antônio da Platina (350 km de Curitiba) acorrentou o filho, um menino de 9 anos, ao sofá de casa. Policiais militares foram acionados por vizinhos e libertaram a criança, serrando a corrente, na tarde de ontem.

A mulher, de 30 anos, que tem mais três filhos, de 13, 12 e 10 anos, contou que agiu assim por estar desesperada e que pretendia deixar o menino acorrentado apenas por algumas horas. Ela disse que o filho não a obedece, é agressivo e chega a passar a noite fora de casa.

“Ele precisa de um psiquiatra infantil, mas na cidade não existe esse profissional. Eu tinha que trabalhar, meu marido também e a irmã mais velha dele iria ao dentista. Tinha medo que ele fosse para a rua e acontecesse algo pior. Eu não costumava acorrentá-lo. Só havia feito isso uma vez, mas comigo em casa”, disse a mãe.

Segundo a vendedora, há indícios de que o menino esteja usando drogas e tenha cometido furtos. “Tenho medo que o matem”, disse. Ela afirmou que, no momento, a criança, que cursa o segundo ano do ensino fundamental, não tem acompanhamento médico.

Tratamento médico

De acordo com o conselheiro tutelar Davi Silva, que acompanha a família desde 2009, é isso o que falta para o menino: tratamento médico adequado. Ele disse que há um encaminhamento para um psiquiatra infantil, mas a consulta não é agendada pela prefeitura. “Faz dois anos que tento conseguir uma consulta para essa criança. Médicos de adultos já não querem atendê-lo. Denunciei o caso ao Ministério Público”, afirmou Silva.

O chefe de gabinete de Santo Antônio da Platina, Joel Rauber, nega que falte a atenção adequada. “Os relatórios de atendimento da criança somam aproximadamente cem páginas. Não deixamos de dar atendimento e fornecer a medicação adequada. Psiquiatra infantil, que é o especialista que ele necessita, não temos no município. Por isso, contratamos o serviço de um profissional em Londrina (a 150 km), mas a mãe não compareceu à consulta”, informou.

A vendedora disse que não foi informada sobre essa consulta. Depois de ser libertado das correntes pela polícia, o menino foi encaminhado ao Conselho Tutelar e levado para um abrigo, onde passou algumas horas até ser devolvido à família.

Sobre o futuro, a mãe diz não ter resposta. “Quero tratamento médico para ele. Enquanto isso, só Deus. Vou levá-lo à Igreja evangélica.”
A promotora que cuida do caso não foi localizada nesta sexta-feira.