A Operação Trânsito Livre, desencadeada pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), na última terça-feira, terminou de cumprir os mandados de prisão na manhã de ontem. Mais dois acusados de colaborar com o esquema que lesou o Estado do Paraná em mais de R$ 19 milhões, em 2002, foram presos em Brasília. ?A excelente investigação policial, ao lado do Ministério Público do Paraná, foi completada com todas as prisões. Agora cabe ao Ministério Público fazer a denúncia à Justiça para estas pessoas serem julgadas?, destacou o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.

Marcelo Fontoura Valle, 47 anos, e Luiz Carlos Abadie, 55, contador da Vale Couros Trading S.A., participavam das transações ilegais da empresa na capital federal, segundo a polícia. Também em Brasília, foi detido, ainda na terça-feira à tarde, Rubens Alexandre dos Santos, 51, sob a mesma acusação. As investigações apontam que a Vale Couros vendeu créditos tributários inexistentes para o Detran. A transação lesou o Estado em mais de R$ 19 milhões.

Segundo a polícia, Valle é ex-funcionário do Banco do Brasil e apresentou o ex-funcionário do Banco do Estado do Espírito Santo, Paulo R.T. Primo para o sócio da Vale Couros, Márcio Pavan, 39. Abadie é o contador da Vale Couros e seria o responsável por esquematizar a lavagem de dinheiro da empresa. Primo também foi preso na terça-feira, no Rio de Janeiro.

Operação

O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil do Paraná e Ministério Público Estadual investigaram durante três anos o esquema. A investigação culminou na Operação Trânsito Livre, deflagrada na terça-feira, que já prendeu 26 pessoas.

A polícia cumpriu os mandados de prisão simultaneamente em cinco estados e colocou atrás das grades o ex-diretor-geral do Detran/PR, César Roberto Franco; a coordenadora financeira do Detran/PR na época da transação, Eliane Carvalho; os coordenadores jurídicos do Detran/PR em 2002, advogados Carlos Bettes e Geraldo Zétola.