Parentes e curiosos permaneceram
ao redor do corpo, mas pouca gente
quis dar informações à polícia,
temendo represálias.

Sofrendo ameaças de morte há algum tempo, Nivaldo Alves de Oliveira, 22 anos, acabou sendo executado com tiros no peito, ontem à tarde, por desconhecidos. Ele caiu morto na Rua dos Gerânios, Jardim Tupi, em Araucária. Segundo familiares, a vítima já estava sendo “prometida” há algum tempo devido a um desentendimento ocorrido em um bar da região. Nivaldo foi a segunda pessoa da mesma família assassinada em menos de 45 dias. O primo dele, Anderson Lima de Oliveira – que também esteve envolvido na confusão -, foi executado na Rua das Dálias, no mesmo bairro.

Nivaldo passou a tarde de ontem jogando bola em um campo próximo a sua residência. Por volta das 15h50 ele recebeu o chamando de um homem e saiu do jogo. Quando andava caminhando pela rua, foi abordado e assassinado com três tiros de pistola no peito. Ferido, ele ainda chegou a ser atendido pelo Siate, mas morreu no meio da rua. Os policiais militares Cabreira e De Conti, do 17.º Batalhão, informaram que a vítima foi morta por um homem conhecido por “Peixe”.

Curiosos

Curiosos e parentes da vítima estiveram no local do crime, porém poucas pessoas quiseram falar alguma coisa à polícia. ??Aqui prevalece a lei do silêncio. O Tupi é um bairro sem lei”, desabafou uma parente de Nivaldo.

De acordo com a mãe da vítima, Davina Rodrigues, desde a morte de Anderson (em 23 de março deste ano), familiares estavam recebendo ameaças de morte mas não diretamente. “Os bandidos lá da invasão avisavam para todo mundo que iriam matar meu filho. E disseram que ainda tem uns três ou quatro que ainda vão morrer”, revelou.

Sem motivo

Segundo Davina, o filho não tinha vícios e não contava com antecedentes criminais. “Ele foi detido uma vez por briga quando era menor”, relembrou.

Familiares de Nivaldo disseram que os matadores levaram a carteira dele contendo dinheiro e documentos, mas que isso seria apenas um pretexto para despistar a polícia. “Eles levaram a carteira para parecer um assalto, mas aqui todos sabem que foi a gangue que o matou”, disse um familiar.

Gangue espalha violência pelo Jardim Tupi

Uma gangue seria a responsável pela violência que está tomando conta do Jardim Tupi. Segundo moradores, na área de invasão está alojado um grupo que aterroriza pessoas e mata sem motivos.

Desde um desentendimento ocorrido em um bar da região, Anderson e Nivaldo estavam jurados de morte. Anderson, que trabalhava como metalúrgico, recebeu um tiro no rosto, na madrugada de 23 de março. Na semana passada, um tio das vítimas disse que quando circulava em um ônibus do transporte coletivo ouviu rapazes comentarem que a bola da vez seria Nivaldo. Avisado sobre o perigo que corria, o rapaz ignorou-o.

A gangue exerce o poder da intimidação no bairro. Segundo comentários no local do crime, após a morte de Nivaldo alguns integrantes do grupo comemoraram a façanha soltando foguetes e buzinado motocicletas. Pelo menos três nomes de integrantes da gangue foram revelados à polícia.

“Queremos que pelo menos desta vez seja feita justiça. A polícia tem que prender quem fez isso com meu filho”, gritava a mãe bastante desconsolada com a perda de seu único filho homem.