A funcionária de um posto de combustível de Curitiba que, grávida de 17 semanas, recebeu um tiro na barriga durante assalto em 14 de maio, foi indiciada hoje por suposta participação no roubo. O delegado de Furtos e Roubos de Curitiba Rubens Recalcatti, anunciou que Patrícia Cabral da Silva deixou de ser vítima para ser suspeita em razão de uma gravação em que supostamente admite o crime. Ela é acusada de ter elaborado todo o plano, inclusive o tiro, que serviria para pleitear uma indenização de R$ 150 mil. Os cerca de R$ 60 mil roubados de um cofre seriam divididos entre seus três supostos sócios que concretizaram o assalto.

A confirmação da suspeita depende de perícias em uma fita cassete, que teria sido gravada por Luiz Carlos Cândido, foragido e que é um dos acusados do roubo. A fita foi apresentada à polícia pelo advogado José Carlos Veiga, que defende Sidimar Tiago Oliveira, acusado de ter dado o tiro. Ele se entregou à Justiça na semana passada. O outro acusado é Márcio Leandro Rezende, que também está foragido. Segundo Recalcatti, o Instituto de Criminalística do Paraná está examinando se não houve montagem na fita e fazendo a degravação oficial. Depois, deve ser enviada para um instituto fora do Paraná para confrontação de vozes.

No entanto, a partir de uma degravação feita pelo próprio delegado, ele encontrou indícios de culpabilidade. "Ela passa de vítima a ré, agora já está indiciada", acentuou Recalcatti. Se comprovada a autenticidade da fita, o delegado não descarta um pedido de prisão. Posteriormente, a aceitação da fita como prova dependerá do Ministério Público e da Justiça.

Segundo Veiga, a gravação foi divulgada agora porque esperavam que ela levasse a gravidez até o final. Havia muito risco, já que a bala continuava alojada no abdome. O parto foi feito no dia 20 de agosto e a criança nasceu saudável. Patrícia disse apenas que considera um "absurdo" a acusação que está sendo feita contra ela. "A única coisa que tenho a dizer é que todos os esclarecimentos que eu tenho que dar eu já disse para as autoridades policiais", desconversou. "Eu vou explicar isso à polícia. Não tenho nada a declarar a vocês." Ela negou participação no crime.