Foto: Ciciro Back

Bernardi (c) disse que os produtos vinham subfaturados.

A Operação Columbus, deflagrada na manhã de ontem pela Polícia Federal, em ação conjunta com a Receita Federal, resultou na prisão temporária de oito pessoas, quatro delas no Estado do Paraná, acusadas de fazer parte de um esquema internacional milionário de sonegação de impostos. Segundo a polícia, um grupo econômico, com sede em Miami, nos Estados Unidos, enviava produtos eletrônicos e bens de informática para o Brasil, onde eram vendidos no mercado varejista.

As investigações começaram há um ano e quatro meses, quando a polícia recebeu informações sobre a atividade suspeita do grupo e contou com o apoio do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. ?Percebemos um crescimento assombroso da empresa e do patrimônio dos proprietários?, observou o delegado da PF, Omar Gabriel Haji Mussi.

Foi apurado que o grupo possui empresas em cinco países – Estados Unidos, Taiwan, Holanda, Paraguai e Brasil -, utilizadas para envio de mercadorias e lavagem de dinheiro. A partir do empreendimento de Miami, que era usado como fachada, a quadrilha fazia remessas de mercadorias de informática e eletrônicos ao Brasil e Ciudad del Este, no Paraguai. Produtos também eram enviados diretamente de Taiwan para o Brasil e, na Holanda, os suspeitos usavam outra empresa ?laranja? para lavar dinheiro. Todos os estabelecimentos permitiam que agissem anonimamente e não pagassem parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). ?Os produtos vinham subfaturados em até dez vezes o valor real de mercado e eram distribuídos na cadeia informal, sonegando impostos para entrar na cadeia comercial?, explica o superintendente da Receita Federal no Paraná, Luiz Bernardi.

De acordo com o superintendente, o grupo foi responsável, no último ano, pela movimentação de US$ 250 milhões e uma fraude fiscal equivalente a R$ 50 milhões anuais. Segundo a polícia, o esquema era praticado há pelo menos cinco anos e se manteve oculto graças à ?blindagem? das empresas e do patrimônio de todos os participantes da ação em nome de ?laranjas?, mantendo os verdadeiros responsáveis a salvo das ações da Receita.

Prisões

Na manhã de ontem, foram cumpridos oito mandados de prisão – três deles em Foz do Iguaçu, um em Curitiba e quatro em São Paulo – e 39 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros: Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Desses mandados, doze foram cumpridos em Foz e dois em Curitiba, em empresas ligadas ao grupo. Dos locais foram levados diversos documentos de importação que comprovam as fraudes, segundo a polícia. Também foram realizadas diligências de busca e apreensão na empresa sediada em Miami. A ação contou com o trabalho de 200 policiais federais e 40 servidores da Receita em todo o País. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba.

PF explica que operação resulta da Dilúvio

Lígia Martoni

De acordo com o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Jaber Saadi, a Columbus é um dos primeiros resultados dos desdobramentos das investigações iniciadas pela PF quando deflagrada a Operação Dilúvio, que desmantelou o maior esquema de fraudes sobre importações ilegais já identificado no País, em agosto do ano passado. Naquela operação foram presos empresários, inclusive no Paraná, responsáveis pela sonegação de cerca de R$ 500 milhões em imposto de importação. ?A Dilúvio nos deu condições de fazer operações pontuais em algumas empresas e desvendar esses filhotes?, explica o superintendente.

Apesar de os nomes dos oito presos não terem sido divulgados pela polícia, em função do segredo de Justiça decretado para a investigação, a reportagem de O Estado apurou que entre eles está o brasileiro Pedro Anselmo Agrizzi, que é comerciante em Ciudad del Este. O empresário pode ser o principal articulador de todo o esquema e, em sua residência, também teriam sido apreendidas duas pistolas, uma calibre 380, de marca não-identificada, e outra da marca Hugger, calibre 40 esta de uso restrito das polícias.

Agrizzi foi notícia há cerca de um mês, quando sua filha de nove anos, Kaena Agrizzi, foi libertada de um seqüestro, em Foz do Iguaçu. O grupo exigia do empresário R$ 1 milhão pelo resgate, mas os seqüestradores acabaram presos antes do pagamento.

Em Curitiba, mais um nome importante foi pego ontem pela Polícia Federal. Este, ligado a um grande grupo de informática, amplamente conhecido. A identidade do empresário, porém, ainda é mantida sob sigilo.