O coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Rural Sem Terra (MST), João
Pedro Stédile, vinculou a lentidão da reforma agrária com a violência no campo
que culminou na morte da freira Dorothy Stang. "Na medida em que o governo impôs
um ritmo muito lento para a reforma agrária, a leitura dos fazendeiros mais
truculentos no interior é esta: bom se o governo não está se mexendo então eu
posso fazer o que eu quero. De certa forma, a lentidão do governo estimula a
impunidade", afirmou. Stédile encontrou-se hoje com o presidente do Senado,
Renan Calheiros e com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, em
Brasília.

O líder do MST acusou o agronegócio de "indiretamente" provocar
conflitos sociais e afirmou que o setor tem explicações para dar à sociedade
brasileira porque essa falsa modernidade não resolve os problemas sociais. "O
agronegócio está dando certo para quem exporta. O agronegócio só produz dólares
e pobreza. Não é uma alternativa para resolver os problemas sociais, de pobreza
e de desemprego. Por isso que, de certa forma, ele é indiretamente também
provocador de conflito social" disse.

Para amanhã(25), está previsto um
encontro com os ministros da Casa, no Palácio do Planalto, para pedir que o
governo adote medidas para acelerar a reforma agrária. "Estamos insistindo para
que o governo tome medidas emergenciais para que o Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) consiga operacionalizar o acordo que fez
de assentar 430 mil famílias. Até agora o governo assentou 100 mil em dois
anos", disse.

Segundo Stédile, as metas de 2003 foram ridículas e as
metas de 2004 foram bem aquém do que se havia comprometido. Indagado se o MST se
sentia traído pelo governo, respondeu: "Não o governo é nosso amigo".