Uma rebelião iniciada no começo da noite deste domingo (1º) movimenta a Casa de Custódia de Curitiba (CCC), localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Cinco agentes penitenciários eram mantidos reféns por um grupo de aproximadamente 172 presos rebelados, que tomaram uma das galerias da unidade. Além deles, um sexto carcereiro teria se escondido dos presos dentro da unidade, sendo resgatado posteriormente pela polícia. Na manhã desta segunda-feira, o número foi atualizado, restando quatro agentes reféns, já que um deles foi libertado. Em entrevista à Tribuna, familiares reclamaram dos supostos abusos de agentes.

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Não é “rebelião”

De acordo com Coronel Élio de Oliveira Manoel, Secretário de Administração Penitenciária, a situação fugiu do controle em uma das galerias no momento da contagem dos presos, quando o primeiro agente penitenciário foi feito refém. “Ainda não temos o número exato, mas sabemos que há agentes e presos nessa condição. Um deles está isolado dos demais”, informou.

Ainda segundo o coronel, o fato não é considerado uma rebelião, já que as outras duas galerias permanecem controladas pela polícia. “Nós falamos em rebelião apenas quando os detentos tomam todas as carceragens. Esse ainda não é o caso”, pontuou.

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Problemas

Familiares dos presos que cumprem pena na CCC procuram a reportagem da Tribuna do Paraná para relatar os problemas vividos por eles e pelos detentos da unidade.

As principais reclamações estão relacionadas com o desrespeito e abusos enfrentados durante as visitas, vetos na entrada de alimentos trazidos pelos parentes, alimentação de má qualidade que seria oferecida aos presidiários e as transferências para outros estados.

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“A cadeia (CCC) ‘virou’ pois os presos estão revoltados com os maus tratos, em relação à comida e com os familiares durante as visitas. O descaso é demais com os familiares. Desde o começo do ano eles avisam que vão ‘virar’ a cadeia. Eles estão presos, mas são tratados pior que animais e querendo ou não, são seres humanos”, informou a esposa de um detento que pediu para não ser identificada.

“Eles (os presos) erraram e estão privados de liberdade então, deveriam estar em paz, com chances de ressocialização”, relata um familiar. Segundo os parentes, neste domingo a situação começou a ficar tensa antes da visita. “Hoje eles seguraram as comidas e diziam que não ia entrar porque lá não é hotel”, conta um parente de preso.

Segundo a mulher de outro detento, os presos ainda estariam sendo transferidos para cadeias controladas por facções rivais as que eles pertencem, no Paraná e em outros estados, passando a correr riscos dentro da prisão. “Eles (administradores) estão tomando atitudes que vão contra a lei de execuções penais, ‘forçando’ para que haja rebelião.  Eles estão há meses transferindo os detentos que são do ‘seguro’ para as cadeias de grupos rivais e entregando eles para a morte”, denuncia a esposa, que teve sua identidade preservada.

Situação isolada

Procurado, o Departamento Penitenciário do Paraná informa que houve um início de motim na Casa de Custódia de Curitiba no início da noite deste domingo. De acordo com o Depen, a situação segue ocorrendo de forma isolada em uma galeria. “Imediatamente a Polícia Militar foi acionada e policiais do BOPE estão no local. Por ora não há informações sobre feridos”.

Na manhã desta segunda-feira (2) os parentes dos presos prometem fazer uma manifestação em frente à unidade prisional, mas por enquanto nada foi registrado.

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