O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deverá ler na quarta-feira o requerimento de criação da CPI dos Sanguessugas, que investigará o desvio de recursos do Orçamento Geral da União para a compra fraudulenta de ambulâncias. A instalação da CPI foi acertada entre os partidos da base governista e de oposição e, pelo acordo, irá funcionar por 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período. O requerimento será lido em sessão conjunta da Câmara e do Senado.

A CPI mista vai investigar o esquema de compra de ambulâncias superfaturadas, que envolve deputados, senadores e assessores parlamentares e foi descoberto pela Operação Sanguessuga desencadeada pela Polícia Federal. Renan Calheiros observou que o Ministério Público e a Polícia Federal já estão investigando há cerca de dois anos as irregularidades no uso de verbas orçamentárias. O presidente do Senado defendeu, no entanto, que o Congresso não pode ficar omisso diante das denúncias e tem obrigação de também investigar o episódio.

A decisão de criar a CPI dos Sanguessugas foi tomada na semana passada em reunião entre Renan Calheiros, o presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B-SP), e os líderes partidários. Apenas o PP mostrou-se contrário à instalação da comissão de inquérito. O ex-líder pepista deputado Pedro Henry (MT) é um dos investigados pela Polícia Federal na "Operação Sanguessuga".