Num palanque lotado de políticos e com uma plateia de mais de duas mil pessoas, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), participou, em Curitiba, do lançamento do programa Mulher Curitibana, de prevenção do câncer de mama, ao lado do prefeito da capital, Beto Richa (PSDB).

Apontado como principal nome tucano para a sucessão do presidente Lula, Serra, que também visitou o governador Roberto Requião (PMDB), em público, pouco falou de política.

“Minha candidatura é uma questão que o partido irá decidir no momento certo. Houve antecipação do processo eleitoral, mas minha preocupação é governar São Paulo. Da minha parte, só haverá decisão quando se aproximar o prazo para desincompatibilização”, disse o tucano, que, para disputar a presidência, terá de renunciar ao governo paulista até 3 de abril de 2010.

O PSDB vem sofrendo pressão dos demais partidos de oposição ao governo Lula para definir seu candidato ainda este ano. Serra também evitou comentar o quadro sucessório no Paraná.

Questionado sobre qual seria seu melhor palanque no Estado, com Beto Richa, Alvaro Dias (PSDB) ou Osmar Dias (PDT), disse que “essa é uma questão de estado. O PSDB do Paraná está muito bem servido e eles poderão tomar a melhor decisão”.

O mesmo tom foi mantido ao comentar a aproximação do governador mineiro Aécio Neves (PSDB), outro pré-candidato tucano à presidência, ao pré-candidato do PSB, Ciro Gomes.

“O Aécio tem todo o direito de buscar seu espaço e fazer suas articulações. Minha relação com ele é e sempre será de paz, amizade e unidade”, comentou. Além de participar do lançamento do Mulher Curitibana, Serra assinou com Beto Richa um protocolo de colaboração na área de habitação. O prefeito de Curitiba descartou qualquer relação entre a grandiosidade do evento organizado e a proximidade da campanha eleitoral.

“O Serra esteve várias vezes em Curitiba, a última delas, com o governador do Estado. Não é a proximidade da campanha eleitoral e a acusação de alguns adversários políticos que vão nos impedir de trabalhar em favor da nossa gente, que é nossa obrigação”, disse.

Se evitou falar de política em público, o governador paulista pode ter conseguido alguns avanços nos bastidores. O líder do governo na Assembleia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), buscou Serra no aeroporto, o acompanhou até a Universidade Positivo, local do evento e participou de toda a cerimônia, ao lado de diversos adversários do PMDB do Paraná, como o senador Alvaro Dias (PSDB) e o presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, além do próprio prefeito Beto Richa. Depois Romanelli conseguiu levar Serra para uma conversa, fechada, de cerca de meia hora com Requião.

Beto Richa manifestou surpresa com a presença do peemedebista no evento, mas revelou que Romanelli é um dos canais que o PSDB tem com o PMDB para convencer o partido do governador a apoiá-lo no ano que vem.

“Todos os partidos estão conversando neste momento. E queremos sim o PMDB ao nosso lado. Na Assembleia, esses contatos são diários e os deputados Romanelli e Alexandre Curi têm conversado bastante conosco”.