Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu que a oposição deveria voltar a atenção para a nova classe média, quatro meses atrás, o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Wellington Moreira Franco, provocou seu antigo chefe: “Já cuidamos disso aqui.” Na semana passada, ele ironizou: “A nossa sorte, no governo, é que ele está cercado de pessoas que não o compreendem.”

A chamada “nova classe média” do País representará 57% do eleitorado em 2014, votos suficientes para definir a sucessão de Dilma Rousseff, e detém a maior fatia do mercado de consumo, alega o ministro da SAE, fascinado com as pesquisas que encomendou. “Nosso futuro está ligado a ela, não tenho dúvida”, arrisca Franco. Foi com essa disposição que ele organizou o seminário “Políticas Públicas para a Nova Classe Média”, que começa hoje, em Brasília.

A presidente Dilma cancelou a sua participação na abertura do seminário, mas o evento ainda deve contar com a participação do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.

Se o peso dos votos dos emergentes é claro, o peso do bolso não fica atrás. No cenário econômico, eles também ganharam a posição de protagonistas. Segundo cálculo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a classe média já concentra 46,24% do poder de compra dos brasileiros, à frente dos consumidores das classes A e B, com 44,12%. Diferentes metodologias calculam entre 104 milhões e 105,5 milhões o número de integrantes da classe média – algo entre 53,9% e 55% da população do País. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), pertencem à classe média os brasileiros com renda familiar mensal entre R$ 1.200 e R$ 5.174. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.