Moreira Mariz/Agência Senado
Ministra-chefe da Casa Civil disse que não foi a primeira vez que o governo perdeu.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, minimizou hoje, em Curitiba, a derrota que o governo federal teve no Senado, com a rejeição da recondução ao cargo do ex-diretor-geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Bernardo Figueiredo. “Ganhar e perder faz parte do processo, não é a primeira vez que o governo perde e não deve ser a última”, afirmou. “Isso faz parte do processo da política.”

Convidada da Associação Comercial do Paraná para uma homenagem no Dia Internacional da Mulher, ela foi questionada sobre possível revolta de integrantes da base aliada, que gostariam de mais atenção do governo federal, sobretudo para investir em seus municípios em ano eleitoral.

“Não me cabe fazer essa análise”, esquivou-se a ministra. Segundo ela, qualquer questionamento relativo à articulação política tem que ser feito à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati. “Eu não trato de articulação política”, reafirmou.

Mas ela lamentou a decisão do Senado em relação a Figueiredo. “É um técnico de extrema qualidade, que conduziu até agora a ANTT, todos os processos que têm lá e que estão melhorando a infraestrutura brasileira”, afirmou.

“Mas respeitamos a posição do Senado, é um órgão autônomo. Agora o governo vai enviar outro nome.” Perguntada sobre a atuação do senador paranaense Roberto Requião (PMDB), que vinha fazendo campanha contra a recondução do ex-diretor-geral, ela preferiu atender apelos dos organizadores do evento. “Nós temos que ir agora”, disse.

O secretário nacional de comunicações do PT nacional, deputado federal paranaense André Vargas, também presente à solenidade da ACP, admitiu que a base aliada ao governo federal está emitindo “sinais” de insatisfação.

“É necessário um diálogo maior e também uma prudência de nossos líderes”, aconselhou. Para ele, a tensão é “natural” em ano eleitoral. “Temos só que administrar, entender, compreender, identificar as insatisfações e dialogar com a base”, reforçou.

Segundo ele, os peemedebistas não teriam motivos para estar insatisfeitos porque, na reforma ministerial, o PT perdeu dois ministérios, enquanto o PMDB manteve todos, entre eles os que administram as obras de infraestrutura no País.

“No PT não tem crise e nem terá porque nós temos a Presidência da República”, afirmou. “O PMDB tem que olhar a vice-presidência e se sentir governo, não se comportar como base aliada.”