O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na manhã desta sexta-feira (26), no Twitter, que o governo estuda “descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia” e passar para áreas que “gerem retorno imediato ao contribuinte”, como veterinária, engenharia e medicina.

De acordo com o presidente, em um twitter posterior, “a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”.

O anúncio ocorre em meio ao lançamento de uma campanha dos partidos de esquerda pela “Valorização das Universidades Federais”, formada pelas deputadas Margarida Salomão (PT-MG), Alice Portugal (PCdoB-BA) e pelos deputados Danilo Cabra (PSB-PE) e Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) e apoiada pelos sindicatos, como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), a União Nacional de Estudantes (UNE), da Associação Nacional de Pós-Graduandos, da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra).

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O exemplo do Japão (que não acabou com os cursos de humanas)

Nesta quinta-feira (25), em vídeo gravado com Bolsonaro, no Facebook, o ministro da Educação Abraham Weintraub disse ter sido inspirado no Japão para reduzir os recursos ou até acabar com os cursos de humanas.

“O Japão, que é um país muito mais rico que o Brasil, está tirando dinheiro público do pagador de imposto de faculdades que são tidas como faculdades para uma pessoa que é muito rica ou de elite, como filosofia”, afirmou. “Mas pode estudar filosofia? Pode, com o dinheiro próprio”.

“Esse dinheiro que vai para faculdades como de filosofia, sociologia, ele [Japão] coloca em faculdades que geram retorno de fato. Enfermagem, [Medicina] Veterinária, Engenharia, Medicina”, continuou Weintraub.

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O ministro se referiu à atitude tomada pelo Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão, em junho de 2015, quando enviou uma carta às universidades nacionais (públicas), alertando que elas deveriam incrementar sua eficiência para satisfazer melhor as necessidades do país.

A mensagem pedia um uso mais racional dos recursos e a priorização de áreas estratégicas – se preciso fosse, as universidades deveriam modificar ou até mesmo abolir seus departamentos de ciências sociais e humanidades para economizar.

Mas o governo japonês não acabou com os cursos de humanas. A carta enviada gerou indignação inclusive em setores em que o governo esperava mais retorno e, por isso, o Ministério japonês acabou por voltar atrás no pedido.

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