Brasília – O governo quer melhorar a qualidade nutricional e de saúde das comunidades indígenas brasileiras. Para isso, realizou um edital de seleção pública das propostas de apoio às atividades de pesquisas direcionadas ao estudo sobre saúde dos povos indígenas. Foram selecionados 24 projetos de pesquisa, de um total de 61 apresentados. Eles terão à disposição, ao todo, R$ 1 milhão. Cada um recebe de R$ 20 mil a R$ 50 mil.

A iniciativa é resultado de parceria da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O edital faz parte do processo de organização e implementação da área de pesquisa em saúde dos povos indígenas, iniciado em novembro de 2004, com o 1º Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas em Saúde dos Povos Indígenas.

Segundo o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, José Maria de França, a grande importância dessas pesquisas é que elas vão proporcionar ao planejamento da Funasa "o surgimento de novos caminhos e perspectivas para as ações que visem promover a saúde indígena".

De acordo com ele, além dessas pesquisas, a Funasa apóia atualmente um levantamento mais abrangente sobre o setor, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Universidade de Brasília (UnB). Para França, o conjunto das pesquisas proporcionará, até julho de 2006, "um diagnóstico real da saúde indígena no país, que até hoje não existe". Outra vantagem apontada é a racionalização dos recursos, com a eleição de prioridades a serem trabalhadas.

Como algumas das 24 pesquisas apoiadas serão realizadas em 6 meses e outras em 2 anos, a idéia da Funasa é, segundo França, complementar os valores repassados aos pesquisadores. "Nós vamos trabalhar para que o profissional conclua a sua pesquisa", observou ele, avaliando que o recurso de R$ 1 milhão não será suficiente. "A ampliação está assegurada. Não se vai deixar pesquisar pela metade", diz.

França destacou ainda que a Funasa e os povos indígenas brasileiros estão vivendo "um momento muito importante" com a realização das conferências de saúde indígena. "Nós vivenciamos já as conferências locais, nas aldeias, onde os índios discutiram as questões de saúde na aldeia, as dificuldades e as propostas deles para facilitar a saúde das comunidades", explica.

Ele lembrou que nesse momento estão sendo realizadas as 34 conferências distritais. Posteriormente, haverá o encerramento com a Conferência Nacional de Saúde Indígena, programada para acontecer em Brasília, em março de 2006. "Isso é muito importante porque nós estamos vivenciando a discussão da saúde indígena junto com os três atores principais: o usuário, o trabalhador e o governo. Assim, o índio está tendo voz e será ouvido."