Pesquisa realizada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) apontou que o Paraná registrou uma redução de 46,4% no volume de transporte de cargas, por causa da pandemia do coronavírus. Os dados foram apurados entre o dia 16 de março e 19 de abril, levando em conta informações de mais de três mil empresas associadas em todo o Brasil. A queda se deu em decorrência da paralisação dos serviços em diversos setores.

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Medidas restritivas em prevenção à Covid-19, que incluíram o fechamento do comércio, a diminuição da circulação das pessoas e as orientações de trabalho à distância, impactaram no setor de transporte rodoviário, que corresponde a cerca de 65% de tudo o que circula no país. De acordo com o levantamento, a queda no volume de transporte em alguns estados foi bem expressiva, como é o caso do Maranhão (75%), seguido de Mato Grosso (52,8%) e de Mato Grosso do Sul (51,2%), além de outras 15 regiões que continuam sofrendo queda significativa. O Paraná aparece com o índice de redução de 46,4%, em oitavo no ranking de redução.

Segundo o presidente do SETCEPAR (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná), Marcos Egídio Battistella, o estado não está entre os mais afetados porque o setor agrícola exige que o trabalho não seja paralisado. “Alguns setores estão relativamente bem no Paraná, outros não. O agronegócio, por exemplo, segue normal, pois a safra precisa ser transportada”, esclareceu.

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Por outro lado, Battistella frisa que existem diversas empresas que estão sentindo os efeitos na redução dos serviços. “Empresas que atendem ao setor automobilístico pararam e isso gerou uma reação em cadeia. Transportadoras que atendem comércios menores também estão sentindo muito, assim como as que prestavam serviços para shoppings e setor de combustível. A queda foi grande e essas empresas estão com problemas”, pontuou.

Queda brusca

Outro dado que chama a atenção na pesquisa é o porcentual de empresas de todo o Brasil que tiveram queda significativa no faturamento. Desde o início das medidas preventivas em função da pandemia até o momento, 89% das empresas tiveram baixas nos lucros brutos.

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Tiago Dallagrana, diretor da Transportes Rodoway, de Curitiba, explica que a empresa faz parte dessa grande porcentagem. A companhia estima uma retração de 75% na receita. O caminho para manter as portas abertas foi reduzir em 50% o quadro do setor administrativo, além de negociar a redução de salário de um grupo específico de colaboradores.

“Infelizmente tivemos que tomar medidas drásticas, pois a estimativa para que nossas operações internacionais sejam retomadas são em um prazo de 90 a 120 dias. Funcionários que se enquadram como grupo de risco tiraram férias e, assim que retornaram, tiveram redução de 50% na jornada de trabalho”, explicou Dallagrana.

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A empresa, que atua em diversos segmentos de transporte como na indústria automobilística, transporte de maquinário e agrícola, também tem enfrentado dificuldade no mercado internacional. “Além das restrições no Brasil, estamos paralisados no mercado internacional. Transportávamos automóveis para o Peru, por exemplo, o que significa que temos que lidar com quatro países diferentes para poder retomar o trabalho”, detalhou Dallagrana.

Retomada em ritmo lento

O presidente da SETCEPAR vê mais um mês difícil para o setor pela frente, mas estima que, aos poucos, as transportadoras vão se reestabelecer, ainda neste ano. “O mês de maio deve continuar em nível crítico. Nossa estimativa é de que a retomada no setor se dê partir de junho. Será uma recuperação lenta e os volumes devem se normalizar somente mais para o final do ano”, finalizou Battistella.