Pesquisa

Universidade do Paraná desenvolve novo método para proteger lavouras de pragas

Fotografia em plano médio de um pesquisador em laboratório científico ou industrial ao lado de um fita de bioreator industrial. Em primeiro plano, à esquerda, destaca-se um homem de pele clara, cabelos escuros penteados para trás e barba cheia grisalha. Visto de perfil e enquadrado do peito para cima com o corpo voltado para a direita, ele veste jaleco branco sobre camisa social azul-clara e gesticula abertamente com as duas mãos enquanto explica o funcionamento do sistema. Na manga e no peito do jaleco há logomarcas institucionais bordadas. No plano intermediário, à direita e ao centro, posiciona-se um grande biorreator industrial de aço inoxidável reflexivo com tubulações, válvulas e conexões metálicas. Ao lado do reator sobressai um painel metálico de controle da marca "ENGCO" modelo "BIOENG-P", equipado com uma tela digital e botões coloridos de emergência e operação, com a marca "Finep" afixada no canto superior direito. Ao fundo, observa-se o ambiente de laboratório com paredes brancas, tubulações, prateleiras com frascos e balcões sob iluminação artificial clara e uniforme.

Um projeto desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina (UEL) propõe uma nova estratégia para o manejo de pragas e doenças nas lavouras, combinando produtos biológicos e bioquímicos em diferentes etapas do desenvolvimento das plantas.

Coordenada pelo professor Admilton Gonçalves de Oliveira Junior, a iniciativa busca unir a sustentabilidade dos biodefensivos à ação rápida dos produtos bioquímicos, com potencial para gerar ganhos econômicos e ambientais ao produtor rural. A proposta foi estruturada em duas etapas, chamadas de Alfa e Ômega.

A combinação busca enfrentar uma das dificuldades dos biodefensivos: embora apresentem vantagens ambientais, produtos biológicos podem ter menor estabilidade e exigir condições mais complexas de manejo. Enquanto as bactérias precisam de tempo para colonizar o vegetal e se adaptar ao ambiente, os metabólitos podem atuar de forma mais rápida.

“Nessa fase não se pode perder a mão da doença. Tem que aplicar uma tecnologia que vai ter efeito imediato. Se a doença entrar ou aumentar muito nesse momento, pode trazer grande o prejuízo para o produtor”, explica Admilton.

Além do controle direto dos patógenos, o sistema também busca estimular os mecanismos naturais de defesa das plantas. Outro diferencial está na tentativa de aproximar a pesquisa acadêmica das condições reais de produção.

Entenda, a seguir, as fases do projeto:

O que é o projeto Alfa e Ômega?

É um sistema que divide a proteção da lavoura em duas etapas. Na fase Alfa, bactérias chamadas Bacillus velezensis protegem a planta jovem contra doenças e pragas, liberando substâncias químicas naturais.

Na fase Ômega, quando a planta está madura e precisa de defesa rápida, apenas essas substâncias são aplicadas em doses concentradas, sem as bactérias vivas. Essa separação garante proteção adequada em cada momento do desenvolvimento da planta.

Por que os biodefensivos atuais não conseguem competir com agrotóxicos?

Os produtos biológicos disponíveis enfrentam dois problemas principais: demoram para fazer efeito e são difíceis de transportar e armazenar. Isso dificulta o uso em grandes plantações, onde o produtor precisa de soluções rápidas e práticas.

Além disso, muitos biodefensivos perdem eficiência quando expostos a condições climáticas variadas, o que desanima os agricultores acostumados com a previsibilidade dos produtos químicos.

Qual a vantagem das moléculas usadas na fase Ômega?

As moléculas selecionadas atacam os invasores de duas formas: matam diretamente fungos e bactérias nocivas e ativam o sistema de defesa da própria planta, como uma vacina. Essa dupla ação não existe nos agrotóxicos comuns.

Como são concentradas, funcionam tão rápido quanto produtos químicos, mas sem prejudicar o meio ambiente. A composição dessas moléculas é inédita e ainda não foi registrada em nenhum produto comercial.

Como o projeto pode chegar aos pequenos agricultores?

Parte dos royalties pagos por empresas que licenciarem a tecnologia será convertida em produtos para agricultores familiares que fornecem alimentos orgânicos para merenda escolar. A distribuição será feita com ajuda de prefeituras e cooperativas.

Essa estratégia atende lei paranaense que determina alimentação orgânica em todas escolas estaduais até 2030. Empresas privadas já demonstraram interesse em participar dessa iniciativa social.

O produto biológico sai mais barato que agrotóxicos?

O objetivo não é apenas reduzir custos, mas aumentar o retorno financeiro do produtor. Um produto barato que não funciona bem representa prejuízo. A proposta é oferecer qualidade superior, mesmo que o investimento inicial seja maior, garantindo resultado igual ou melhor no final da colheita.

Além do ganho econômico, há benefícios ambientais e de saúde pública que agregam valor à produção e podem abrir mercados que pagam mais por alimentos livres de agrotóxicos.

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