A Rocha Terminais Portuários e Logística, considerada uma das mais antigas empresas do Paraná, com 162 anos de história ligada a Paranaguá, colocou em operação em julho o Terminal Cais Oeste, novo ativo de exportação de grãos no porto paranaense.
O investimento passa de R$ 300 milhões e faz parte de uma captação de R$ 400 milhões em debêntures, a primeira emissão desse tipo na história da companhia.
“Paranaguá é o berço da Rocha e, 162 anos depois, continua sendo o coração da nossa operação”, afirma Darlan Fábio De David, presidente da empresa. Conforme ele, a diversificação para os mercados de fertilizantes e, depois, de grãos, a partir dos anos 2000, mudou a escala do negócio. O Ebitda da companhia, que girava em torno de R$ 5 milhões no início daquela década, deu lugar a um faturamento de R$ 872,4 milhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior.
O que muda com o Cais Oeste
O novo terminal tem mais de 5,8 mil m² de área construída e capacidade estática de armazenagem de 100 mil toneladas de soja e milho. A estrutura opera com dois tombadores para caminhões de até 30 metros, com capacidade para descarregar mais de 280 veículos por dia. Conta ainda com sistema de esteiras enclausuradas, o que evita a emissão de particulados durante a movimentação da carga. O terminal é alfandegado, com pesagem e triagem dos caminhões integradas diretamente aos sistemas da Receita Federal.
Com o Cais Oeste conectado ao berço 201, além do corredor Leste já existente, a Rocha passa a somar mais de 2 milhões de toneladas de capacidade anual de movimentação de grãos em Paranaguá.
“Para nossos clientes exportadores, o principal ganho é ter mais flexibilidade e previsibilidade na operação. Conseguimos avaliar a melhor alternativa para cada embarque e direcionar a carga de acordo com a disponibilidade dos berços Leste e Oeste, reduzindo o tempo de espera dos navios e os riscos de sobreestadia”, explica De David.
Mais de R$ 700 milhões em dois anos
O Cais Oeste é a peça mais recente de um ciclo de investimentos que já passa de R$ 700 milhões em Paranaguá nos últimos dois anos. A companhia também concluiu um armazém de fertilizantes totalmente automatizado, com capacidade estática de 70 mil toneladas e throughput (em tradução: taxa de vazão, que é o quanto de carga passa pela estrutura) de mais de 700 mil toneladas por ano, conectado por esteiras diretamente aos três berços de fertilizantes do porto, o que elimina a etapa de transporte por caminhão entre o navio e o armazém. Outros R$ 30 milhões foram aplicados na compra de guindastes portuários do tipo MHC.
O peso de Paranaguá na operação da Rocha aparece nos números de 2025: mais de 5 milhões de toneladas de grãos e farelo exportados pelo terminal, cerca de 20% de participação nesse mercado no porto. Também exportou mais de 4 milhões de toneladas de fertilizantes movimentadas, equivalente a mais da metade de todo o segmento em Paranaguá.




Fertilizantes em retração, grãos em alta
O ano de 2026 é marcado por uma retração nas importações brasileiras de fertilizantes. O país deve importar cerca de 40 milhões de toneladas, ante uma média histórica de 45 milhões. Mesmo assim, a Rocha projeta movimentar entre 8 e 10 milhões de toneladas do produto neste ano. Isso representa um quarto de todo o volume nacional importado.
Para De David, a diversificação de negócios é o que permite à empresa atravessar esse tipo de ciclo. “Enquanto os fertilizantes enfrentam uma redução de demanda, a movimentação de grãos e cargas industrializadas apresenta um cenário mais positivo, ajudando a equilibrar a operação”, afirma.
A companhia soma hoje mais de 1.200 colaboradores distribuídos por diferentes regiões do país.
Plano de R$ 1,5 bilhão até 2035
A Rocha prevê investir mais de R$ 1,5 bilhão até 2035, ampliando sua atuação para além do Sul do país. A empresa já opera no Porto de Santana, no Amapá, iniciou atividades em Miritituba, no Pará, e planeja chegar a Santos nos próximos três a quatro anos, acompanhando o avanço do Arco Norte no escoamento de grãos brasileiros.
“Nossa estratégia é crescer mantendo uma base forte no Paraná e, ao mesmo tempo, ampliar nossa presença onde nossos clientes precisam de nós. Paranaguá continuará tendo um papel central nessa trajetória”, diz o presidente da Rocha.
A solidez financeira por trás desse plano foi reconhecida pela S&P Global Ratings, que atribuiu à empresa o rating corporativo AA+ durante a estruturação da emissão de debêntures coordenada pela XP Investimentos. A nota reflete o modelo de governança da companhia e a alavancagem financeira, mantida abaixo de duas vezes o Ebitda.
