As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos (15 lantanídeos, mais escândio e ítrio) considerados essenciais para a fabricação de smartphones e TVs, motores de carros elétricos, turbinas eólicas e até sistemas de defesa. Eles não são exatamente raros, mas são bem difíceis de se encontrar juntos e em concentrações elevadas para que sua extração seja economicamente viável.
Recentemente, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou um potencial enorme para extração destes elementos no chamado Cinturão do Ribeira, que abrange cidades do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
O protagonismo das terras raras explodiu por três motivos principais:
- Transição energética: São insubstituíveis em ímãs de alto desempenho para motores elétricos e turbinas eólicas
- Domínio chinês: A China controla cerca de 92% da produção mundial, gerando preocupações geopolíticas sobre segurança tecnológica.
- Restrições de exportação: A China já restringiu exportações como resposta a tensões comerciais com EUA, acendendo alerta global
A demanda por esses minérios deve crescer 1.500% até 2050, muito além da capacidade atual de produção. Os EUA e a União Europeia buscam urgentemente diversificar fornecedores, e o Brasil emergiu como candidato estratégico.
O Brasil e o potencial do Paraná
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo: cerca de 21 milhões de toneladas, equivalente a 23% das reservas globais. No entanto, o país responde por apenas 1% da produção mundial e praticamente não tem refinamento doméstico.
Em maio deste ano, o Serviço Geológico do Brasil identificou concentrações relevantes de terras raras no Cinturão Ribeira, formação geológica que atravessa São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Por aqui, o potencial maior se localiza nas cidades de Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul. Nestas cidades as amostras apontam um total de 8 mil ppm (partes por milhão).
Outras áreas possuem concentração de 3 mil ppm em neodímio e térbio, essenciais para fabricação de imãs de alto desempenho. Esses minerais são valorizados no mercado para motores elétricos e energia renovável
O estudo ainda está em fase preliminar e segue até 2027. A inclusão de uma área no mapa de potencial não significa que ela tenha uma jazida confirmada, nem autorização para mineração. São necessários estudos complementares de viabilidade econômica, tecnológica e ambiental.
Se confirmadas as reservas, o Paraná poderia se tornar um novo polo de extração de terras raras no Sul do Brasil, posicionando-se na cadeia de minerais críticos essenciais para o futuro tecnológico e energético global. A região já é conhecida pela presença de minerais associados a terras raras, e os primeiros resultados são considerados “bastante promissores” pelos pesquisadores do SGB.
O geólogo Daniel Fernandes explica que o Cinturão Ribeira é uma antiga cadeia de montanhas formada há centenas de milhões de anos. “É um cinturão orogênico, formado por dobras e falhas, originado a partir da colisão entre continentes e fechamento de oceanos, há mais de 500 milhões de anos. A Orogenia Brasiliana possui cerca de 1,4 mil quilômetros de extensão”, informa Fernandes à Gazeta do Povo.
O desafio brasileiro permanece: transformar reservas em produção com valor agregado, evitando repetir o histórico de exportação de commodities sem industrialização.



