Foto: Chuniti Kawamura

Terapia trabalha a estimulação dos sentidos e emoções.

Estima-se que 60% dos bebês prematuros terão dificuldades de aprendizagem em idade escolar. Reflexo da permanência prolongada no leito do hospital. Mas uma terapia originária da Holanda, a Snoezelen, vem ajudando no desenvolvimento dessas crianças através da estimulação dos cinco sentidos. A Associação Mantenedora do Centro Integrado de Prevenção (Amcip), em Curitiba, é pioneira no Brasil e até o fim do ano deve lançar um livro falando sobre a experiência. O pedido de patente já está no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual.

A diretora da Amcip, Marisa Sella, diz que quando os bebês chegam à unidade, eles associam o centro ao hospital e o choro acaba sendo inevitável. ?Eles estão muito sensibilizados. No hospital, são acordados de seu sono para a realização de exames, tomam injeções, ficam longe da mãe?, fala Marisa.

O bebê não consegue relaxar e tem dificuldade para criar um vínculo afetivo com os profissionais. A terapia Snoezelen trabalha com a estimulação dos cinco sentidos e das emoções, favorecendo a interação entre a criança e os atendentes. No local, há uma sala com paredes brancas com inserções de luzes, sons, cores, texturas, movimentos e aromas. São recursos que pedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas usam para estimular o desenvolvimento.

A fonoaudióloga Karen Ribas diz que os resultados do trabalho usando a técnica são mais eficazes. Ela explica que os bebês precisam de estimulação facial para evitar problemas na fala, na mastigação e na deglutição. Mas quando o profissional toca a pele do bebê, ele associa ao processo doloroso de permanência no hospital e começa a chorar. Porém, nessa sala, a atenção do bebê é voltada para o ambiente. As cores, o cheiro, as imagens, a música acalmam a criança.

Marisa também cita o sucesso na fisioterapia. Ela diz que há bebês com seis meses que ainda não conseguem sustentar a cabeça. Na reabilitação convencional, a criança é colocada sobre uma bola e a medida que ela é girada, o bebê mexe a cabeça para se equilibrar, fortalecendo o tônus cervical. O diferencial do Snoezelen é que a criança se mexe atraída por cores, figuras e sons, por exemplo. ?O processo é prazeroso?, fala Marisa.

O trabalho na Amcip não atende apenas bebês prematuros, reabilita crianças com algum tipo de deficiência do zero aos seis anos de idade. A entidade é filantrópica e sobrevive de doações e projetos financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por exemplo.

No ano que vem, o centro começa a capacitar novos profissionais para utilizar a técnica. Até o fim de 2007, a experiência deve ser publicada. No entanto, a entidade procura uma editora que se interesse em fazer uma parceria.