Quando um consumidor faz uma compra em um marketplace, dificilmente imagina a estrutura necessária para manter aquele anúncio competitivo. Controle de preços, estoque, concorrência, reputação e margem de lucro fazem parte da operação que acontece nos bastidores do comércio eletrônico. Foi nesse cenário que a curitibana Seconds Tecnologia transformou uma dificuldade comum entre vendedores em um negócio de tecnologia.

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Fundada em 2018, a startup desenvolveu uma plataforma de gestão para marketplaces e, em 2024, administrou operações que movimentaram R$ 12,3 bilhões. O valor representa as vendas realizadas pelos clientes da plataforma, e não o faturamento da empresa.

Hoje, a Seconds acompanha cerca de R$ 900 milhões em vendas por mês, reúne quase 7 mil sellers, administra mais de 51 milhões de anúncios e monitora aproximadamente 600 mil concorrentes.

Em poucos anos, a empresa deixou de ser uma ferramenta criada para resolver um problema específico e passou a atender operações presentes nos principais marketplaces do país. A expansão acompanha a profissionalização do comércio eletrônico brasileiro, que passou a exigir gestão baseada em dados, automação e monitoramento em tempo real.

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Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor deve movimentar R$ 259 bilhões em 2026, impulsionado pela consolidação dos marketplaces e pela digitalização do varejo. O crescimento ampliou a presença de grandes varejistas e indústrias nas plataformas e fortaleceu um mercado de empresas especializadas em tecnologia para gestão de vendas online.

Da crise ao software

Antes de criar a Seconds, Leonardo Vilar vivia exatamente os problemas que hoje ajuda outros empreendedores a resolver. Depois de atuar como programador, tornou-se sócio de uma operação de motopeças que chegou a administrar cerca de 28 mil produtos em marketplaces. As vendas cresceram, mas a dificuldade para controlar preços, custos, estoque e rentabilidade acabou levando o negócio ao fracasso.

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Em vez de abandonar o comércio eletrônico, Leonardo decidiu transformar o problema em solução. Desenvolveu uma plataforma para administrar operações complexas em marketplaces e, depois de validar a ferramenta na própria rotina, passou a oferecê-la para outros vendedores.

“O nosso maior ativo nunca foi apenas a tecnologia. Foi conhecer profundamente a dor de quem vende em marketplace, porque vivemos exatamente essa realidade.”

A empresa também foi construída em dupla. Enquanto Leonardo concentrava esforços no desenvolvimento da plataforma, Greyce Minatti estruturava a operação comercial e mantinha contato direto com os clientes. O diálogo diário com vendedores ajudou a definir as prioridades do produto e acelerar sua evolução.

“Cada processo nasceu de um problema concreto encontrado na rotina dos clientes. Essa proximidade moldou a empresa”, destaca Vilar.

Um mercado mais profissional

O avanço das plataformas de gestão acompanha uma transformação do varejo brasileiro. Segundo dados do IBGE, a proporção de empresas varejistas que realizavam vendas pela internet passou de 4,7% em 2019 para 8,6% em 2023, refletindo a integração entre lojas físicas, comércio eletrônico e marketplaces.

Nesse ambiente, vender mais nem sempre significa lucrar mais. Comissões, frete, publicidade, devoluções e mudanças constantes nas plataformas exigem decisões cada vez mais baseadas em dados.

A fase seguinte da empresa foi marcada pela expansão nacional. Desde 2022, essa estratégia é conduzida pelo CEO Thiago Trincas, responsável por acelerar o crescimento da operação.

“Hoje não basta automatizar tarefas. É necessário transformar dados em estratégia. Quem entende sua margem e reage rapidamente às mudanças consegue operar com mais eficiência”, afirma Trincas.

Hoje, a Seconds reúne mais de 45 ferramentas voltadas à análise de anúncios, precificação, indicadores financeiros e monitoramento da concorrência, atendendo desde pequenos empreendedores até grandes operações nacionais.

Para Leonardo Vilar, o desafio é o mesmo independentemente do porte da empresa. “A lógica é a mesma para qualquer operação. Quem vende cem produtos ou cem mil precisa tomar decisões baseadas em informação.”

Tecnologia feita no Paraná

Ao contrário de boa parte das startups de tecnologia, a Seconds cresceu sem aportes de fundos de investimento. A expansão foi financiada pela própria operação, em um modelo conhecido como bootstrap, no qual o crescimento acontece a partir da geração de receita do próprio negócio.

A empresa mantém sua sede em Curitiba e atende vendedores de todo o país. Especializada inicialmente em Mercado Livre, ampliou sua atuação para plataformas como Amazon, Shopee, Magalu, Shein e MadeiraMadeira, acompanhando a estratégia de vendedores que passaram a operar simultaneamente em diferentes marketplaces.

O negócio que nasceu da tentativa de resolver um prejuízo próprio se consolidou como uma empresa de tecnologia que opera nos bastidores de uma parcela bilionária do varejo digital brasileiro. Em um mercado cada vez mais orientado por dados, soluções especializadas deixaram de automatizar tarefas para se tornar parte da estratégia de crescimento de milhares de vendedores.