O anúncio de um provável reajuste de 19,2% no valor da tarifa de energia elétrica da Copel causou indignação para produtores rurais do Paraná. A revolta ganhou força por declarações do presidente do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), que além de considerar o reajuste abusivo, pediu ressarcimento da empresa pelos prejuízos causados com constantes apagões no campo.
A Revisão Tarifária Periódica (RTP) está em fase de consulta pública convocada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Entenda como funciona. O número proposto é bem acima da inflação no período, que gira em torno dos 4,25%.
“Os prejuízos no meio rural do Paraná por conta dos problemas no fornecimento de energia elétrica já somam centenas de milhões de reais. O Sistema FAEP já recebeu inúmeros ofícios e relatos envolvendo perdas de peixes, frangos, leite e equipamentos, o que comprovam estes prejuízos”, disse Ágide Eduardo Meneguette, presidente da FAEP, à Tribuna.
Apesar de reconhecer algum investimento da empresa, ele afirma isso não impactou no dia a dia dos produtores rurais, que sofrem com o desabastecimento. Por isso, a entidade é frontalmente contra o reajuste proposto.
“O serviço ofertado pela Copel no meio rural deixa a desejar, impactando severamente na produção dentro da porteira. Pedimos que não ocorra o reajuste da tarifa, mas a redução ou o ressarcimento pelos danos e prejuízos que os nossos produtores rurais paranaenses estão acumulando”, destaca Meneguette.
Na análise da entidade, a revisão tarifária leva em conta os investimentos, custos de transmissão e encargos setoriais realizados pela distribuidora em um período de cinco anos. Caso o aumento na conta de luz seja aprovado, 5,3 milhões de unidades consumidoras serão impactadas no Paraná, sendo 311 mil no meio rural.
Perdas se acumulam no campo com apagões

Nos últimos anos, pecuaristas e agricultores de todas as regiões do Paraná têm contabilizado prejuízos milionários com perdas na produção em razão de quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica e/ou oscilações na tensão da rede.
Uma pesquisa encomendada pelo Sistema FAEP, em 2024, entrevistou 514 agricultores e pecuaristas paranaenses a respeito dos serviços prestados pela Copel e revelou que 85% dos produtores não estão satisfeitos com o fornecimento de energia elétrica. Os principais motivos para a avaliação negativa foram: falta constante de energia (44%); a demora na resolução dos problemas (14%); e oscilação na rede (12,3%).
Conforme relatos de produtores rurais e ofícios encaminhados por dezenas de sindicatos rurais e prefeituras municipais, a realidade dentro da porteira envolve mortalidade de animais, principalmente peixes e frangos; perda de produção, como leite; e a queima de equipamentos, como motores, bombas de irrigação, climatizadores, painéis de controle e resfriadores.
“O produtor rural segue surpreendido pela Copel com péssima qualidade de serviço, com quedas constantes de energia, oscilação de tensão elétrica, queima de equipamentos, perda de produção. O reajuste nesse patamar é o pior dos piores cenários”, diz o presidente do Sistema FAEP.
Copel diz que reajuste poderia ser ainda maior e disponibiliza novo canal de atendimento
Em nota enviada à imprensa, a Copel afirma que o reajuste da tarifa é definido pela Aneel e que a previsão inicial de reajuste era ainda pior, estimado em 26%, mas que agiu em defesa do interesse dos paranaenses, solicitando a aplicação de um mecanismo chamado “diferimento máximo permitido”, conforme as regras da própria agência reguladora.
“Atualmente, o cliente paranaense paga a tarifa mais baixa do setor elétrico brasileiro. Mesmo com o reajuste, cujo percentual ainda será definido pela Aneel, a tarifa no Paraná permanecerá entre as três mais baixas do Brasil, em torno de R$ 0,76 para o consumidor residencial”, diz a nota, que detalha ainda o quanto de dinheiro fica nos cofres da empresa após o pagamento da conta de luz. “Na prática, de cada R$ 10 pagos pelo consumidor na conta de luz, cerca de R$ 2 correspondem a essa parcela que efetivamente remunera a Copel”.
A Copel reforça que trabalha junto à Aneel, dentro das regras federais permitidas, para reduzir impactos tarifários, e reafirma seu compromisso com a transparência, a prestação de um serviço público essencial eficiente e a segurança energética para os consumidores paranaenses.
A empresa disse ainda que o Programa Copel Agro está ativo desde 6 de abril, com atendimento exclusivo e dedicado aos produtores rurais, prioritariamente da cadeia de proteína, com a atividade registrada no Cadastro do Produtor Rural (CAD/PRO) do Estado do Paraná. Pela linha direta 0800 643 76 76, exclusiva do Copel Agro, os produtores rurais são atendidos por teleatendentes que atuam 24 por dia, sete dias por semana, para o encaminhamento de demandas relacionadas à energia elétrica.



