Operação policial

Servidor da Adapar é preso suspeito de ajudar quadrilha a “legalizar” gado furtado no Paraná

Fotografia em enquadramento médio e ângulo baixo de um posto de fiscalização agropecuária. Em primeiro plano, à direita, destaca-se uma placa verde sobre cavalete com o símbolo de um octógono vermelho com a palavra "PARE", além do logotipo da Adapar, o brasão do Governo do Paraná e o texto "FISCALIZAÇÃO AGROPECUÁRIA" em letras brancas. Ao fundo, no centro, vê-se um prédio térreo de paredes brancas com base azul e telhado em duas águas, onde três pessoas conversam na entrada. À esquerda, estacionada no pátio, fica uma furgoneta caracterizada da fiscalização agropecuária sob iluminação natural de dia nublado.
Adapar afirma colaborar com as investigações. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo/Sistema FAEP.

Um servidor da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) foi preso durante uma operação policial nesta quarta-feira (9) que investiga o furto de gado no Noroeste do Paraná. Além dele, a operação cumpriu 14 dos 17 mandados de prisão preventiva expedidos e realizou outras sete prisões em flagrante.

A investigação começou em agosto de 2025, após o furto de 29 cabeças de gado de uma propriedade rural em Alto Paraná, cidade próxima a Paranavaí, no Noroeste do estado. Segundo as apurações da Polícia Civil do Paraná (PCPR), ao longo de sete anos de atuação, o grupo teria furtado cerca de 2 mil cabeças de gado, causando um prejuízo estimado em R$ 10 milhões aos produtores.

As investigações indicaram a existência de uma estrutura hierárquica organizada para coordenar os furtos. Segundo a PCPR, o servidor preso durante a operação atuaria como possível facilitador do grupo, ajudando a dar aparência de legalidade à origem do gado.

O servidor seria responsável por obter documentação fraudulenta. “Há indícios de que [os criminosos] se valiam deste servidor para conseguir uma documentação e fazer o transporte do gado”, explicou o delegado João Lucas Vieira Caetano, em entrevista ao Bom Dia Paraná, da RPC TV.

Em coletiva de imprensa, o chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, afirmou que a agência contribui com as investigações. “À medida que novas informações forem encaminhadas pelas autoridades policiais, nós iremos avaliar e adotar as medidas administrativas e sanitárias da nossa competência”, afirmou.

Procurada pela Tribuna do Paraná sobre o servidor, a Adapar reiterou que colabora com as investigações do caso. “Sobre o servidor mencionado, o órgão abrirá sindicância interna e tomará as medidas cabíveis dentro da Lei”, diz o comunicado.

Como o grupo atuava?

A partir das investigações iniciadas em agosto de 2025, os policiais chegaram a alguns dos nomes que participariam da quadrilha. Em março deste ano, dois homens já haviam sido presos em Terra Rica por suspeita de envolvimento em crimes semelhantes. Na ocasião, 13 animais foram recuperados.

As informações coletadas permitiram esboçar o modo de atuação do grupo. Para executar os furtos, os integrantes faziam um reconhecimento prévio das propriedades e estudavam as áreas antes dos crimes. Durante as ações, contavam com apoio logístico para transportar os animais e, posteriormente, fraudavam documentos para dar aparência de legalidade à origem do gado.

Os animais furtados eram enviados a receptadores em outras propriedades ou encaminhados para leilões. Segundo a investigação, cerca de 40 pessoas estariam ligadas ao grupo, que teria causado prejuízo de R$ 10 milhões aos produtores.

Além das prisões, a operação resultou na apreensão de instrumentos utilizados para marcar o gado, armas, caminhões e documentos. O material será analisado para subsidiar a continuidade das investigações.

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