Foto: Átila Alberti/O Estado

Celebração originada na Índia é marcada por cantos e danças.

Os curitibanos conheceram ontem um pouquinho mais da cultura oriental. Durante o II Festival da Índia Ratha-Yatra, seguidores de Krishna passearam pela Rua XV de Novembro dançando e entoando cantos para Jaganantha, chamado de Senhor do Universo. A manifestação é realizada há mais de 2 mil anos na Índia e procura deixar as pessoas mais próximas da divindade.

Na Índia, Jaganantha é visto como uma divindade, na verdade é um outro nome atribuído a Krishna. A celebração é bem simples, mas chama a atenção pelos cantos, danças e roupas. Enquanto uma comitiva segue à frente dançando, outra puxa o carro enfeitado com flores e panos coloridos, onde está uma imagem de Jaganantha. Junto dele – que possui rosto negro, olhos arregalados e boca sorridente, para transmitir alegria – também estão Balarama, com objetivo de transmitir força espiritual, e Subhadra, que, segundo os seguidores de Krishna, representa o aspecto feminino de Deus.

O gesto de puxar o carro tem um significado especial. "É a mesma coisa que puxar a divindade para o coração", comenta Jay Vrndávana, um dos organizadores do evento. Ele conta que há cinco mil anos as pessoas queriam levar Jaganantha para a cidade de Vrndánava, mas a divindidade disse que isso era impossível e prometeu que estaria sempre junto a eles, em seus corações. Tempos depois, o povo começou a realizar a procissão, considerada uma das maiores do mundo.

Jay explica que os cantos também têm uma simbologia especial. "Se parece com o choro de um bebê chamando pela mãe, neste caso Deus." Os seguidores de Krishna acreditam que, de tanto clamar seu nome, a divindade ouve o chamado e os corações são purificados.

Além do aspecto religioso, Jay diz que a manifestação também quer tornar a cultura indiana mais popular na cidade. "Todo mundo conhece um pouco da história de poloneses, italianos, ucranianos, mas nada sobre a nossa cultura", aponta. A idéia parece que deu certo. O chinês Yong Chang, 78 anos, que vive no Brasil há 20, ia acompanhar a procissão munido de uma máquina fotográfica. "Gosto destas manifestações culturais e de aprender mais um pouco sobre os outros povos", disse. Ariane Muniz, 19 anos, estava no centro esperando uma amiga e aproveitou para dar uma espiada. "Achei tudo muito criativo. É uma boa oportunidade que a gente tem para conhecer", avaliou.

A manifestação também reuniu público variado. "Vivemos numa época em que a espiritualidade de todos os povos caminha em um mesmo sentido", declarou o professor de Yoga Marcos Elias. A procissão saiu da Praça Santos Andrade e seguiu até a Boca Maldita.