Energia elétrica

Rios cheios no Paraná significam mais energia? Entenda o que acontece nas hidrelétricas

Fotografia aérea panorâmica em plano geral de uma vasta paisagem fluvial cortada por uma ponte estaiada ou em arco, sob luz diurna. Em primeiro plano, a área urbana densamente arborizada ocupa a parte inferior da imagem, exibindo telhados de casas e ruas em meio à vegetação verde. No plano intermediário, um largo rio de águas barrentas e caudalosas serpenteia pelo vale, atravessado horizontalmente por uma grande ponte de concreto com pilares firmados nas margens. Margens verdes e colinas onduladas estendem-se ao redor do curso d'água. Ao fundo, o horizonte estende-se com planícies e áreas florestadas sob um céu azul claro pontilhado por nuvens esparsas.
Produção não depende apenas do aumento do nível dos rios. Foto: : William Brisida/Itaipu Binacional.

Mesmo com as fortes chuvas elevando o nível dos rios no Oeste do Paraná, isso não significa que as hidrelétricas estejam operando em ritmo recorde ou produzindo muito mais eletricidade.

Na operação de grandes usinas, a abundância de água na bacia hidrográfica não se traduz em geração ilimitada de energia ou em excedente de eletricidade. No caso de Itaipu, por exemplo, a potência instalada é de 14 mil megawatts (MW), mas a capacidade operacional efetiva é limitada a 12.600 MW.

Essa restrição está relacionada ao Acordo Tripartite, firmado entre Brasil, Paraguai e Argentina, que estabelece condições para a gestão dos recursos hídricos na região, considerando a segurança da navegação e o aproveitamento hidrelétrico a jusante.

Para cumprir essas condições operacionais, a usina pode manter até 18 de suas 20 unidades geradoras em operação simultânea, com as demais fora de operação, em reserva ou em manutenção.

Como funciona?

O volume de água que passa pelos vertedouros também ajuda a desfazer outro mito frequente. Quando abertos, eles funcionam como estruturas de descarga, permitindo o escoamento do excesso de água e contribuindo para a segurança da barragem. Essa água não passa pelas turbinas e, portanto, não gera eletricidade.

A geração de energia ocorre quando a água atravessa as turbinas. A capacidade dessas máquinas, porém, tem limites físicos e operacionais que não aumentam simplesmente porque o reservatório está cheio.

Essa lógica também se aplica a outras usinas da região, incluindo as do complexo hidrelétrico do rio Iguaçu, operadas pela Copel. Durante cheias severas, os centros de operação precisam conciliar o aproveitamento da água para a geração de energia com o controle das vazões e a segurança das comunidades ribeirinhas, em coordenação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Assim, independentemente do volume de água que chega aos reservatórios, a geração hidrelétrica continua sujeita a limites técnicos, operacionais e de segurança. O excesso de água nem sempre pode ser convertido em eletricidade e, em determinadas condições, precisa ser liberado para manter a operação segura das barragens e dos rios.

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