Mesmo com as fortes chuvas elevando o nível dos rios no Oeste do Paraná, isso não significa que as hidrelétricas estejam operando em ritmo recorde ou produzindo muito mais eletricidade.
Na operação de grandes usinas, a abundância de água na bacia hidrográfica não se traduz em geração ilimitada de energia ou em excedente de eletricidade. No caso de Itaipu, por exemplo, a potência instalada é de 14 mil megawatts (MW), mas a capacidade operacional efetiva é limitada a 12.600 MW.
Essa restrição está relacionada ao Acordo Tripartite, firmado entre Brasil, Paraguai e Argentina, que estabelece condições para a gestão dos recursos hídricos na região, considerando a segurança da navegação e o aproveitamento hidrelétrico a jusante.
Para cumprir essas condições operacionais, a usina pode manter até 18 de suas 20 unidades geradoras em operação simultânea, com as demais fora de operação, em reserva ou em manutenção.
Como funciona?
O volume de água que passa pelos vertedouros também ajuda a desfazer outro mito frequente. Quando abertos, eles funcionam como estruturas de descarga, permitindo o escoamento do excesso de água e contribuindo para a segurança da barragem. Essa água não passa pelas turbinas e, portanto, não gera eletricidade.
A geração de energia ocorre quando a água atravessa as turbinas. A capacidade dessas máquinas, porém, tem limites físicos e operacionais que não aumentam simplesmente porque o reservatório está cheio.
Essa lógica também se aplica a outras usinas da região, incluindo as do complexo hidrelétrico do rio Iguaçu, operadas pela Copel. Durante cheias severas, os centros de operação precisam conciliar o aproveitamento da água para a geração de energia com o controle das vazões e a segurança das comunidades ribeirinhas, em coordenação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Assim, independentemente do volume de água que chega aos reservatórios, a geração hidrelétrica continua sujeita a limites técnicos, operacionais e de segurança. O excesso de água nem sempre pode ser convertido em eletricidade e, em determinadas condições, precisa ser liberado para manter a operação segura das barragens e dos rios.
