Reeleito deputado federal e figurando como uma das principais lideranças do Progressistas e da Federação no estado, Ricardo Barros (Progressistas) avaliou o cenário político nacional e estadual após a consolidação das urnas no primeiro turno.

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Em entrevista à Tribuna do Paraná, o parlamentar analisou a dinâmica eleitoral que garantiu a vitória de Sergio Moro ao governo paranaense por uma margem de apenas 0,1% sobre Sandro Alex — candidato apoiado por seu grupo —, atribuindo o desfecho a uma “onda anti-Supremo” e a interferências de decisões do Judiciário na reta final da campanha.

Durante a conversa, Barros projetou o alinhamento de sua bancada com o novo governo estadual, defendeu a postura de lealdade partidária adotada na disputa e comentou sobre as negociações para a composição da mesa diretora da Assembleia Legislativa (Alep), mencionando o potencial da deputada Maria Vitória.

No âmbito nacional, o deputado detalhou a decisão da Federação (Progressistas e União Brasil) em fechar questão a favor de Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, projetando uma disputa acirrada e influenciada pela imprevisibilidade do cenário jurídico e pelo eleitorado indeciso.

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Confira, a seguir, a entrevista completa com o deputado Ricardo Barros:

Tribuna do Paraná: O senhor ficou no “meio da tabela”, como o 15º mais votado. Como avaliou o seu desempenho nesta eleição?

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Ricardo Barros: Fui bem, fui o deputado mais votado do meu partido. Toda eleição tem uma onda, né? E nessa eleição teve a onda dos anti-Supremo. As pessoas que estavam contra o STF acabaram sendo muito bem votadas. Foi uma onda da direita, foi uma onda contra o Supremo. E, a partir daí, nós tivemos uma baixa de votos nos partidos do centro. Beto Richa não se elegeu, Luciano Ducci não se elegeu, tudo por falta de legenda. E nós ficamos com seis deputados da Federação, sendo quatro do Progressistas e dois do União Brasil, além de seis estaduais, todos do Progressistas. Então eu acho que foi muito bom o resultado para nós e estou feliz. Geralmente eu fico mesmo ali no meio da lista dos eleitos. Então é muito bom a gente não ficar ali no rebolo do sufoco da apuração.

Tribuna do Paraná: Como o senhor avalia o resultado final da eleição para o Governo do Paraná?

Ricardo Barros: Eu acho que a estratégia do governador Ratinho Júnior foi confirmada. Ele perdeu por 0,1%, com o Sandro Alex em segundo lugar. Por apenas 0,1% não tivemos segundo turno. E se tivéssemos, como era a tese do Ratinho, eles ganhariam no segundo turno. Acho que é isso que iria acontecer de fato.

Tribuna do Paraná: E o que faltou para esse 0,1%?

Ricardo Barros: Essa onda da direita anti-Supremo, que foi provocada pelo próprio Supremo, quando mexeu no debate da Globo. Isso não estava previsto e favoreceu muito ao Moro, obviamente. Então, significa que a tese do Ratinho estava correta, mas não deu certo. As apostas foram feitas e o importante é a gente fazer diferença do lado que a gente está. Então, toda vez que nós decidimos participar de uma eleição, a gente entra para resolver, não entra para ficar “laranjando” e assistindo. Nosso partido tinha pessoas liberadas para apoiar o Moro, e os que trabalharam pelo Sandro, como nós. Tivemos um bom desempenho, mas acredito que agora vamos seguir com o governador Sergio Moro, procurando construir a sua equipe.

Tribuna do Paraná: E o senhor já está participando dessas discussões?

Ricardo Barros: Por enquanto tá todo mundo envolvido no segundo turno com Flávio Bolsonaro, mas acho que depois que terminar ele deve se dedicar a compor sua equipe, a iniciar os trabalhos de governo e aí nós vamos participar, afinal temos seis deputados estaduais e vamos participar da eleição da mesa da Assembleia, além dos deputados federais. A Federação é o terceiro maior partido do Brasil, vamos participar também da eleição da mesa da Câmara dos Deputados e do Senado.

Tribuna do Paraná: O senhor realmente acha que as polêmicas do debate da Globo foram decisivas para que o Moro garantisse o primeiro turno?

Ricardo Barros: Não só a interferência do Supremo no debate, como aqui no Paraná também, com a situação da candidatura do Deltan. Então, esse movimento todo fez o Moro ganhar por 0,1%. Se não tivessem esses fatos, eu acho que teria segundo turno. Por isso que eu falo que o Ratinho não errou. A tese dele estava certa, mas a conjuntura final é que não permitiu a confirmação desta tese. Por quê? Porque o Supremo Tribunal Federal tomou decisões que não eram previstas e não estavam no controle da campanha e afetaram o resultado final das eleições.

Tribuna do Paraná: Alguns meses antes da eleição, conversamos sobre o cenário que se apresentava, inclusive a opção sua e da Federação aqui no Paraná em não apoiar o Moro e fazer campanha pro Sandro Alex. O senhor se arrepende?

Ricardo Barros: Olha, eu acho que nós tivemos uma boa decisão. Foi uma decisão por maioria, não uma decisão unânime. O Ratinho Júnior atuou muito em cima do União Brasil e depois partiu para cima do nosso partido, o Progressistas. Então acabou que formou maioria também no Progressistas. Três deputados, dos cinco, queriam apoiar o Ratinho. Então a decisão foi apoiar o Sandro Alex e fomos para a campanha. Nós somos líderes partidários. A gente não pode ficar na contramão do partido. Temos que respeitar a democracia interna e foi decidido ir pra campanha do Sandro. Trabalhamos muito e fizemos a nossa parte. Estamos bem tranquilos. Quando você vai escolher com quem estar em um governo, você escolhe pessoas leais e pessoas que têm posição, que quando assumem um lado não ficam se escondendo. Se você pega os laranjas, vai ter um governo laranja também.

Tribuna do Paraná: Por menor que seja a sinalização, já houve alguma conversa ou um aceno entre a Federação e o governador Sérgio Moro?

Ricardo Barros: Não. O que houve foi uma reunião da bancada dos deputados estaduais com o Sergio Moro. E nessa reunião ele pediu se eles poderiam fazer parte da base do governo. Essa é a nossa disposição, pois nós sempre fomos de dar governabilidade. Mas não se tratou nem da mesa, nem de participação efetiva no governo. Foi uma reunião de aproximação, foi bem feita, foi bem-sucedida, mas não tem nenhum encaminhamento.

Tribuna do Paraná: Temos hoje a sua filha, a deputada Maria Vitória, numa posição de destaque na mesa da Assembleia. E em breve teremos nova eleição. O senhor vê a deputada com potencial de assumir a casa?

Ricardo Barros: Eu acho que ela tem preparo, relacionamento e competência para isso. Agora, diante do resultado das eleições, é preciso ver como vão se compor as bancadas da Assembleia e como o governador vai conduzir esse processo. Se ele entrar para resolver, para realmente decidir a eleição, ele tem instrumentos para isso, na minha opinião. Mas não seria o estilo dele. Vamos ver como ele se comporta agora que ele tá eleito. Vamos ver se ele vai seguir com o que vinha falando na campanha ou se ele vai agir como tem que ser feito. Vamos aguardar. Eu não tenho opinião sobre isso. Vou esperar pra ver, até porque não tive nenhuma conversa pessoal com ele depois das eleições, a não ser por mensagem para tratar da mobilização que tivemos no Madalosso para reunir os prefeitos.

Tribuna do Paraná: Mas o que vai pesar mais nessa decisão?

Ricardo Barros: Eu acho que a base de apoio do governador não tem a ver com a eleição da mesa diretamente. As pessoas e partidos que querem estar na base estão pensando em votar com o governo e dar o melhor atendimento na sua base de prefeitos. Agora, a eleição da mesa é um assunto interno da Assembleia, que envolve outras situações.

Tribuna do Paraná: Que análise o senhor faz do segundo turno na disputa presidencial?

Ricardo Barros: Eu acho que a eleição vai ser apertada. Eu acho que o PT tá usando todos os instrumentos possíveis para se manter no poder. E tá gastando sem limites e usando a máquina, o que é até natural de quem está com a máquina: fazer o que é possível fazer para se manter no poder. O presidente Lula, como presidente no mandato, teoricamente é favorito, mas o Supremo com as suas interferências acabou fazendo uma alavanca para o Flávio Bolsonaro. Então essas interferências do STF, que é tido como aliado de Lula e algoz do Bolsonaro, acabaram fazendo com que a população votasse contra o Supremo e, portanto, a favor do Flávio. Então, precisamos ver como que esse clima se sustenta até o dia da próxima eleição.

Tribuna do Paraná: Você acha que o STF ainda vai ter o poder de bagunçar esse cenário na última semana antes da votação?

Ricardo Barros: Se eles começam a tomar decisões que afetam muito a eleição, eu acho que isso tem importância para a opinião pública. Então vamos aguardar. A eleição é muito imprevisível, porque o Supremo é imprevisível também. O Tribunal Superior Eleitoral é imprevisível. A gente não consegue antecipar quando eles vão fazer uma medida que cause uma reação da população. E também temos os debates. Debates influenciam a decisão do eleitor. Eu não acho que a eleição tá ganha e o Flávio está bem, mas temos que trabalhar. Estamos trabalhando numa perspectiva de vitória do Flávio.

Tribuna do Paraná: O senhor e a Federação são mais alinhados ao Flávio. Em caso de vitória, já se projeta uma participação de vocês no eventual novo governo?

Ricardo Barros: Nós fechamos questão, a Federação, em torno do Flávio no segundo turno. No primeiro estávamos neutros, embora no Paraná a gente já estivesse apoiando o Flávio desde o primeiro turno. Eu acho que a posição da Federação, especialmente do estado do Norte e Nordeste, vai ajudar um pouco ao Flávio. Aqui a gente já estava ajudando. Agora, penso que a Federação terá mais espaço do que teria com o Lula, com certeza. Não se falou nada e não se pôs nada na mesa por enquanto. Isso é só para depois. Não se tratou nada disso. O segundo turno é mais uma questão política, de impacto, porque o eleitor se move sozinho. O eleitor, acabou o turno, ele já sabe para que lado ele vai no segundo turno. Não é porque o candidato X falou alguma coisa, ou o partido falou, que ele muda. Agora, existe um esforço, uma estrutura de campanha, que tá trabalhando e deve fazer a diferença.

Tribuna do Paraná: O que o senhor acha que será decisivo no segundo turno: quem não votou no primeiro ou quem votou em outros candidatos e vai escolher um novo?

Ricardo Barros: Eu acho que quem não votou, não vai votar. Não tenho nenhuma expectativa sobre isso. Eu acho que o que precisa ser trabalhado são os indecisos e aqueles que eventualmente eram Augusto Cury, que eram (Ronaldo) Caiado e que ainda não se decidiram. Eles são o alvo. Mas a maioria já decidiu, já sabe para quem vai votar. Tem um espaço muito pequeno de público para ser influenciado, mas ele é suficiente para virar a eleição. Então, tem que trabalhar muito.