Tribuna Entrevista

Requião Filho ignora “haters”, acusa governo de trambiques, diz que não vai negociar cargos

Requião Filho, em entrevista exclusiva à Tribuna. Foto: Divulgação / Eduardo Matysiak

A corrida pelo cadeira mais importante do Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná, ganha contornos de confronto direto com as eleições de outubro no radar. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Paraná, o deputado estadual Requião Filho (PDT) posiciona-se como o que classifica como elemento de surpresa nas pesquisas eleitorais* e promete não poupar ninguém durante sua campanha.

Nesta sábado (30/05), ele lança oficialmente sua pré-candidatura ao Governo ao lado da ex-ministra Gleisi Hoffman (PT), que será candidata ao Senado pela mesma chapa.

Requião se considera um “outsider”, apesar de esperar que sua coligação atinja até 9 partidos para enfrentar Sergio Moro, que lidera as intenções de votos*. O parlamentar detalha a costura de uma frente partidária que une a militância de esquerda e centro-esquerda, em um movimento articulado diretamente com as cúpulas em Brasília para contornar o que chama de “fisiologismo e balcão de negócios” da política paranaense.

Carregando um sobrenome que se confunde com a própria história recente do estado, o pré-candidato do PDT adota um discurso incisivo contra as principais bandeiras da gestão Ratinho Junior. Sua plataforma eleitoral ataca diretamente o bolso do eleitorado e o setor produtivo, classificando o “Custo Paraná” como um dos maiores do país.

Entre as propostas tem a promessa de reversão e recompra das ações da Copel — cuja privatização ele classifica como um escândalo iminente —, a revisão integral dos novos contratos de pedágio nas rodovias paranaenses e a aplicação de alíquota zero de ICMS para micro e pequenas empresas até o final da década. A entrevista expõe a visão do pedetista para áreas críticas como a segurança pública e o funcionalismo. C

Confira, a seguir, a entrevista completa da Tribuna com Requião Filho:

Tribuna do Paraná: Por que se candidatar a governador do Paraná?

Requião Filho: Dever e obrigação. Veja, a campanha aqui no Paraná estava limitada a uma fogueira de vaidades. O próximo governador será o indicado do atual governador — o do coração, o preferido, o mais amigo —, parecia um concurso de miss simpatia. Do outro lado, surge o senador Sergio Moro com um discurso que não trata do Paraná. É um discurso lúdico, de ódio, né? Se é que isso pode existir, porque ele foge da realidade, só prega o ódio. Ele é contra tudo, não é a favor de nada. Ninguém está discutindo o Paraná. Ninguém discutia a geração de emprego, redução de imposto, ninguém discutia a educação, saúde e segurança. Então, em cima disso, eu me senti na obrigação de colocar uma candidatura para, pelo menos, trazer o debate. Só que a candidatura ganha tração; desde a primeira vez que o meu nome apareceu nas pesquisas eu saio em segundo lugar e, pesquisa após pesquisa, escolha o instituto, eu venho subindo nas pesquisas, enquanto o Moro vem caindo e os candidatos do governador não conseguem pontuar bem. Então é uma junção disso: dá vontade de querer discutir o Paraná e com a aceitação do nome nas pesquisas.

Tribuna do Paraná: Os teus números nas pesquisas te surpreendem?

Requião Filho: Me surpreendem, uma vez que eu tenho uma dificuldade enorme de acesso à grande mídia. É incrível, mas alguns veículos, quando sai uma pesquisa comigo em segundo lugar, noticiam o primeiro lugar e o terceiro lugar, e não mencionam o meu nome. Então surpreende porque a gente fura a bolha, a gente tá chegando organicamente nas pessoas e isso é muito interessante de ver. É uma candidatura natural, não é imposta. Ela cresce de forma orgânica. Não é algo montado por um conglomerado de marketing.

Tribuna do Paraná: Pra viabilizar de fato a sua candidatura, com força e fôlego pra evoluir para um eventual segundo turno, são necessários apoios. A gente observa certa dificuldade para construir essa rede de apoios que lhe dê tempo e dinheiro para a campanha. Como está a construção dessas alianças?

Requião Filho: Converso com todo mundo que queira discutir o Paraná. Partido de centro, partido de esquerda, partido de centro-direita. Eu só não converso com extremistas. Mas se querem discutir o Paraná, devolver o Paraná ao povo, pensar mais um pouco no CPF e não tanto no CNPJ, eu converso. Então nós já estamos com seis partidos, podendo chegar a nove, numa aliança que nos traria tempo de televisão e espaço, uma base de pré-candidatos fazendo campanha junto conosco. Tem sido uma construção muito interessante porque, como sou um candidato outsider, não há uma troca de favores e cargos. Há interesses e programa. Então tem sido muito legal fazer essa construção dessa maneira.

Tribuna do Paraná: Não é ingenuidade achar que não há essa proximidade, essa troca de cargos? A política é construída em cima disso, não é?

Requião Filho: Mas a política pode ser construída em cima de uma esperança. Não há nenhum acordo do tipo “se você me apoiar, ganha uma secretaria”… Tribuna do Paraná: Mas ninguém admite isso publicamente, né? Requião Filho: Mas a gente sabe o que acontece. Então com a gente foi assim. O PT falou assim: “Olha, nós não temos um candidato que tracione no Paraná e a sua proposta é a que mais se assemelha à nossa proposta. Queremos apoiar você, aceita?”. Eu falei que aceitava, mas existem algumas condições… E aí fechamos. Tem sido assim com o pessoal da Rede, PSOL, Solidariedade, toda a federação. O PV também. Tudo em cima de propostas. Estamos conversando com o PSB nacional, já que no local temos dificuldades. O PSB aqui tá implodido, capaz de não fazer nenhum deputado federal. Há conversas inclusive com o Solidariedade. Todos que querem discutir o Paraná.

Tribuna do Paraná: O senhor se coloca numa situação de “venham a mim os interessados”, mas não é bem assim, né? O senhor não tá indo bater na porta de possíveis parceiros? Qual tem sido o grande desafio na formação dessas alianças?

Requião Filho: Aqui no Paraná o desafio tem sido romper com os acordos locais que envolvem cargos e dinheiro. Cargos, salários e indicações. Então algumas coligações, algumas conversas, são feitas via Brasília, em cima da conjuntura política, porque aqui no Paraná a nossa maior dificuldade tem sido vencer a compra dos partidos através de cargos e indicações por parte de quem já está no poder.

Requião Filho acredita que terá apoio de 9 partidos. Foto: Divulgação / Eduardo Matysiak

Tribuna do Paraná: Mas essa conversa “de cima para baixo” não cria uma realidade fictícia? Porque sabemos que a ordem pode vir de cima, mas na hora a realidade da campanha é outra.

Requião Filho: Na verdade não cria, porque o que a gente vê é que os partidos aqui do Paraná negociam a executiva, as cabeças. E deixam a militância de fora. Desses partidos com que temos conversado, toda a militância quer vir conosco. São militantes mais progressistas, são pessoas que acreditam na educação pública, no respeito ao policial, no investimento de verdade na saúde pública, na recuperação e de uma regionalização real da saúde no Paraná. Então a militância vem conosco. A nossa dificuldade são aqueles “cabecinhas” que se acham donos de uma sigla. Então por isso que a gente fecha a militância aqui e depois vai para Brasília.

Tribuna do Paraná: O senhor saiu recentemente do PT, que é um partido de esquerda, mas que na polarização que vivemos atualmente, pareceu até extrema-esquerda em alguns momentos, e foi para o PDT, um pouco mais centro-esquerda atualmente. Onde está o senhor nesse diagrama político, afinal?

Requião Filho: Sou brasileiro.

Tribuna do Paraná: Mas não dá só para ser brasileiro, temos partidos políticos.

Requião Filho: Tem partido, tem lado e o meu lado é o lado do povo brasileiro. Eu sou a favor do fim da escala 6 por 1, sou contra a privatização de empresas como a Copel e Sanepar, sou contra o pedágio. Eu sou um cara que acha que o funcionário público tem que ganhar bem, estar bem, ser bem remunerado, bem treinado, bem pago para atender bem. Eu acredito que Estado mínimo é um discurso de cretinos, porque eles querem Estado mínimo para todo mundo, menos para eles. Eu acho que esse discurso medíocre da meritocracia é um absurdo. 90% dos filhos de pobre continuam pobres, e 90% dos filhos de rico continuam ricos. Isso não é meritocracia. Isso é uma imposição social que nós vivemos no Brasil. Há um abismo entre classes. Então meu lado é o dos brasileiros. Não dá para a gente dizer nem mais que somos patriotas, porque esse adjetivo foi sequestrado por um grupo de neófitos. Então não dá para dizer. Mas sou brasileiro, um democrata, que quer o Brasil de volta aos brasileiros. Quero o Paraná de volta na mão dos paranaenses e quero garantia de que a cada 4 anos, ao final de cada ciclo, poderei ir à urna escolher meu representante.

Tribuna do Paraná: Copel. Como o senhor avalia a privatização da empresa ou uma eventual reestatização?

Requião Filho: Eu acredito que a venda da Copel será revertida devido aos escândalos que permeiam o negócio. Essa privatização foi feita pelo BTG, ligado ao Banco Master, envolvido com o Nelson Tanure (empresário). Acho que se essa investigação for à frente, isso tudo será anulado, assim como a própria venda da Copel Telecom. Nós avisamos quem iria ganhar a licitação, registrado em cartório junto ao deputado Tadeu Veneri, antes de ela acontecer. Então eu acredito que a venda da Copel será revertida por ser um grande escândalo. Se o Ministério Público e a Polícia Federal não fizerem sua parte, eu, como governador, pretendo recuperar as ações da Copel. Eu não quero transformar a Copel em estatal. Ela é uma empresa mista, foi criada assim e era a melhor empresa do Brasil, com a menor tarifa, e dava lucro. Hoje ela é a 27ª pior empresa de energia e a única coisa que ela faz é dar lucro. E ela prejudica o agro, ela prejudica a indústria, prejudica a família paranaense. E comemora lucro. A ideia é recomprar as ações da Copel.

Tribuna do Paraná: São muitas reclamações sobre o serviço prestado atualmente.

Requião Filho: 86% da população desaprova e 96% não estão contentes. Ela não pode dar prejuízo, mas ela tem que dar lucro social. Energia barata atrai a indústria; indústria atrai emprego CLT; energia barata mantém a empresa aberta porque diminui o custo-empresa. Com custo menor, há melhor salário e mais contratação. Hoje, com essas oscilações, o prejuízo é grande. Máquinas queimando, frangos morrendo nas granjas, peixes morrendo. A energia cara tira dinheiro da economia, já que a pessoa deixa de jantar fora, de comprar uma roupa. E o Paraná hoje é o segundo estado com o maior custo de vida do Brasil. O Ratinho, apesar de dizer ser a favor da diminuição de impostos, aumentou por 2 vezes o ICMS. O Paraná tem uma das alíquotas mais caras do Brasil. A energia, água e esgoto do Paraná são os mais caros do Brasil. O pedágio implementado a pedido do Ratinho é caro. O Custo Paraná é muito caro. Vivemos essa desigualdade social, mas temos um discurso lindo. A realidade é muito diferente da propaganda.

Tribuna do Paraná: A geração de energia elétrica no Paraná é baseada em grande parte na produção hidrelétrica. Como o senhor pretende tocar a diversificação deste modal no seu governo?

Requião Filho: Eu acho que o potencial hidrelétrico do Paraná ainda há de ser mais explorado. Podemos ter mais hidrelétricas, porque é uma energia limpa. Porém, nós temos novas tecnologias e cada vez mais a energia solar se torna prática e mais barata. A eólica ainda é “um trambolho” e no Paraná são poucos os lugares em que teríamos consistência na geração. Mas eu acho que investimentos em tecnologia, com universidades federais e estaduais, Itaipu, institutos como IFPR, podem ajudar a gente a desenvolver muito as tecnologias alternativas.

Tribuna do Paraná: Todo mundo, em qualquer campanha, promete melhorar a educação, mas vemos pouca novidade na prática. Uma delas foram as escolas cívico-militares. O senhor concorda com o projeto? O que tem para propor e mudar a educação no Paraná?

Requião Filho: Queremos devolver a alegria para a sala de aula. Você falou que não tem nada de novo há muito tempo. Eu discordo, pois tenho 46 anos e há 16 anos tínhamos muita coisa boa. No governo Requião (Roberto Requião, ex-governador) tínhamos plano de carreira dos professores, padrões foram revistos, o salário foi revisto, professores tiveram chance de formação continuada para evoluir dentro das salas de aula. Tivemos um salto quântico na qualidade da educação. Desde que saímos, a educação deixou de ser investimento e passou a ser gasto. Essa busca pela terceirização, o aviltamento dos salários dos professores, um governo que se coloca contra os educadores. Dentro da escola são todos educadores: da tia da merenda, passando pelo bedel, os administrativos e professores. Todo mundo lá dentro é um educador. Pra termos uma melhora na educação novamente, nós temos que investir, antes de mais nada, no fator humano, nos educadores. Melhores salários, melhores condições de trabalho, a retomada da formação continuada. Para nós, uma condição melhor não é comprar um ar-condicionado pra escola que não tem rede elétrica para suportar isso. Hoje temos escolas antigas com ar-condicionado guardado num galpão porque eles têm medo de ligar e a escola pegar fogo. Então a gente precisa fazer um investimento na infraestrutura da educação. Temos bons colégios antigos e temos colégios velhos. Temos que repensar isso e construir novos colégios, mas erguer um prédio é fácil. Difícil é dar vida para ele. Nós precisaríamos fazer mais concursos. Precisamos retomar esse cuidado com a alma da educação, que são os agentes educacionais. Depois de tudo isso, pensarmos numa remodelação do currículo, mudando aos poucos para horário integral. Não adianta eu prometer isso agora, pois será mentira. Hoje a escola não funciona bem nem para 4 horas, imagine para 8.

Tribuna do Paraná: E tem dinheiro pra fazer tudo isso?

Requião Filho: Dependendo da vontade política.

Tribuna do Paraná: Como assumir esse investimento sem deixar outra área desprotegida de recursos? O cobertor é sempre curto.

Requião Filho: O governo diz aí que está com superávit de bilhões, e abre mão de R$ 22 bilhões em incentivos fiscais para amigos do rei. 25% do orçamento do Paraná vai pelo ralo para empresas que contrataram parentes do governador, de amigos que ajudaram na sua campanha. Não tem que cortar os incentivos fiscais, mas se fizermos um pente-fino nisso… A gente pode pegar muito trambique e pode passar a limpo e diminuir esse valor para bem menos da metade. Isso deixa mais R$ 10 bilhões na mão do Estado pra investir em educação, segurança e saúde.

Tribuna do Paraná: E as escolas cívico militares?

Requião Filho: É uma boa ideia, mas pessimamente executada.

Tribuna do Paraná: O que tem que melhorar?

Requião Filho: A polícia participava. A polícia participar da comunidade escolar é essencial. Sou contra essa visão de que a polícia é inimiga do professor, que a polícia é inimiga da comunidade. O policial muitas vezes é filho de uma professora, muitas vezes ele nasceu, cresceu e foi criado na comunidade. Sou contra o policial dentro da sala de aula como mestre ou pedagogo. Aí não dá certo. Você não pode julgar um peixe pela sua capacidade de subir numa árvore. O peixe sabe nadar, não sabe escalar. O policial foi treinado e forjado para enfrentar e conter a violência. É a mão forte do Estado, que garante a aplicação da lei. Então ele não tem o preparo pedagógico, psicológico e técnico pra dar conta de uma sala de aula. Existem bons policiais que podem ser grandes professores? Com certeza, assim como existem bons professores que podem ser ótimos policiais. Mas é a exceção à regra. Então o modelo atual é muito mais para propaganda política da extrema-direita. Para os saudosos da militarização, para aqueles pais que terceirizam a educação do próprio filho. Então a cívico militar hoje não é um projeto pedagógico, ela é uma propaganda das melhores escolas, que ganham o melhor uniforme e a melhor merenda. Mas temos denúncias de violência, assédio sexual e policiais sacando arma para alunos e professores. A última coisa que o policial pode fazer em uma situação dessas é sacar a arma. Não são bandidos, são crianças. A cívico militar tem que ser repensada. Vale lembrar que quem criou a patrulha escolar foi o governo Requião.

Tribuna do Paraná: O sobrenome Requião lhe abriu portas, mas também te pôs na vitrine. Como você lidou com isso até hoje?

Requião Filho: O nome Requião me avaliza, não me põe no alvo. Ele garante a vocês que tudo o que eu falo já foi feito e posso fazer melhor.

Tribuna do Paraná: Mas os opositores usam o nome para tentar lhe atingir, não?

Requião Filho: “Haters gonna hate” (Odiadores sempre vão odiar). Esse povinho da internet que adora uma confusão vai continuar na confusão. Que são extremistas e não querem ouvir a razão, não querem um debate e só querem agredir, o ódio pelo ódio. Esses haters são tão rasos que não aguentariam o debate. Quando eu falo que nós podemos baixar impostos, é porque já fizemos. E aumentamos a arrecadação. Não dá para investir no funcionário público? Dá, porque nós investimos. O governo não dá conta de cuidar das estradas? Dá, porque nós cuidávamos. Tem quem não gosta do meu pai e tem suas razões, muito pelo jeitão dele. Mas tentam transferir isso para mim. É uma questão de querer me conhecer ou não. Se você tem um problema comigo, me liga ou me manda uma mensagem. Se você não tem meu número pra ligar e mandar uma mensagem, você não tem intimidade o suficiente pra ter um problema comigo. Então vamos discutir propostas, vamos discutir o Paraná.

Foto: Divulgação / Eduardo Matysiak

Tribuna do Paraná: Qual dos projetos do governo do seu pai você traria imediatamente de volta?

Requião Filho: Imediatamente o apoio ao pequeno e microprodutor, à agricultura familiar. Programas como Trator Solidário, como o fundo de aval, Panela Cheia, Luz para Todos. Eram programas que davam a esse pequeno agricultor um apoio importantíssimo. Essa retomada, essa mão do Estado, é uma mão forte e essa mão forte pode ajudar a puxar o paranaense para cima. Então, de bate-pronto, menos impostos pra pequena e microempresa. E quando digo menos, é ZERO. São elas que geram 7 a cada 10 empregos. Elas são responsáveis por apenas 2% da arrecadação do Paraná e 70% dos empregos de carteira assinada. Então vamos zerar o ICMS até 2030, quando ele deixa de existir. Daremos essa ajuda para que elas possam contratar e ficar de portas abertas. Diminuímos o preço da energia retomando a Copel e diminuímos o preço da água e esgoto retomando o controle da Sanepar. Aumentar incentivos para compra de trato e colheitadeira. O fundo de aval é o Estado sendo avalista para empréstimos, com juros subsidiados. Retomar o seguro-safra. Vamos precisar da ajuda do governo federal e dos bancos de desenvolvimento para garantia contra desastres climáticos. Queremos que o agro cresça, mas não só ele. Temos que buscar a industrialização do Paraná. Já fomos fortes e precisamos retomar isso. Além de uma logística melhor. Temos esse maldito pedágio, pedido pelo Ratinho Junior e o Sandro Alex, que prejudica a logística e aumenta o custo do frete. Precisamos de um projeto logístico com modal ferroviário e rodoviário urgente, porque esperar 35 anos para as concessionárias fazerem ou não, não dá mais.

Tribuna do Paraná: E o Paraná ficará com pedágios por um bom tempo ainda. Seu pai ficou famoso pelo “baixa ou acaba”. Como o senhor vai lidar com essa questão?

Requião Filho: Eu acho incrível que vocês jogam pra nós que o pedágio não acabou, mas não cobram o Judiciário ou o Ministério Público. Nós entramos com dezenas de ações contra o pedágio, e o MP do Paraná e o Judiciário diziam que era uma coisa privada, que não tinha sobrepreço. Precisamos, por irônica analogia, de uma Operação Lava Jato para mostrar que o pedágio era superfaturado, que não estavam fazendo as obras e tinha bilhões de reais a devolver ao Paraná. Depois disso, tudo denunciado, o governador foi lá e fez o quê? Um acordo com o pedágio, perdoando as dívidas e pedindo um modelo novo, escrito pelo Sandro Alex, Tarcísio de Freitas, Ratinho e Bolsonaro, além das pedageiras. Eu nunca vi um contrato com tanta garantia para o lado de lá e nenhuma garantia para o usuário. É um péssimo contrato. Temos que fiscalizar de perto e com muita seriedade, e cobrar muito com a ajuda da sociedade civil organizada, porque ninguém está feliz com o pedágio. A gente já tá vendo que é um erro, porque tá mais caro hoje do que era ontem, e as obras continuam sem sair. O pedágio já arrecada mais do que deveria arrecadar. Num país sério esses contratos já seriam encerrados, mas infelizmente estamos no Brasil.

Tribuna do Paraná: Já que existem essas brechas, é do seu interesse questionar isso juridicamente?

Requião Filho: É do meu interesse cobrar que o Governo Federal exija da ANTT fiscalizar. É dever do Governo Federal que cuide para que se cumpra o contrato com o maior rigor possível. Ficamos na esperança de que, sendo o Ministério Público Federal e a Justiça Federal, a gente tenha maior sucesso nas ações que virão.

Tribuna do Paraná: O senhor intimou os adversários para o debate e terá a chance, na campanha, de encontrar o Sergio Moro, o Sandro Alex e outros candidatos em debates. Como serão esses encontros?

Requião Filho: Serão divertidos, porque o Sandro Alex vai chegar lá e vai dizer que o seu governo será de continuidade. Mas de que, exatamente? O estado que fez obras? Quais obras são do estado? Eles inauguraram obras do pedágio, que não estão prontas, inauguraram 6 vezes a Ponte de Guaratuba. Acho que na história das obras públicas do Brasil nunca uma obra foi tão inaugurada. Inauguraram obras feitas com dinheiro de Itaipu e do Governo Federal. Obras deles não têm nada. E o Sérgio Moro? A pergunta é muito simples: “Querido Sérgio, nem do Paraná você gosta, já que queria ter ido para São Paulo e voltou pra cá porque foi escurraçado. Eu já não quero um governador que tenha o meu estado como segunda opção. Você gosta tanto do debate nacional, leva tudo pra esfera federal, por que nos últimos 4 anos como senador você não fez nada?”.

Tribuna do Paraná: O que o senhor observa do governo atual que é positivo?

Requião Filho: O Paraná evoluiu apesar do governo. O que eu quero dizer com isso… Nós temos um agro persistente e resiliente. Nós temos uma pequena indústria, porque não temos uma indústria grande como nós gostaríamos de ter, que é resiliente e sobrevive aos aumentos do ICMS e outros aumentos, do custo Paraná. Temos alguns programas interessantes, como aquele “Ganhando o Mundo Paraná”, que pode ser melhor aplicado, de uma maneira mais democrática. Nós temos algumas defesas de nascentes, que são interessantes. E temos uma propaganda incrível. Digo pra você que eu teria uma dificuldade enorme de dispensar o pessoal de marketing. Teria até interesse em mantê-los, desde que revisse os contratos. Ninguém é 100% bom e ninguém é 100% ruim. Acertos existem, mas muitas vezes esse governo erra até quando tá bem-intencionado, como a questão da cívico militar, que é uma boa intenção executada de uma maneira muito ruim.

Tribuna do Paraná: Num eventual governo, o senhor terá que lidar com a Assembleia Legislativa e seus deputados, muitos dos quais o senhor conhece. Isso te anima ou te preocupa?

Requião Filho: Acho que haverá uma renovação, mas o fisiologismo de hoje toma conta da Assembleia, porque temos um governo fisiologista. No momento em que o governo não for assim, que pare de comprar votos com favores, cargos e indicações, acredito que os colegas voltarão a pensar no que é bom para o paranaense. Terão liberdade para discutir projetos. Achar que não precisamos fazer isso é de uma arrogância absurda. Se eu mando um projeto para cá, ele pode não ser perfeito; e ter 54 cabeças pensando nele e sugerindo coisas, apontando eventuais erros, é ótimo. Eles estão ali para isso. Eles podem encontrar uma saída melhor, sugerir coisas. Imagine você ter 54 pessoas aqui, pagas pra fazer isso, quantas oportunidades teremos de melhorar as coisas. Não é porque o cara é de oposição que a opinião dele não vale ou vale menos. É importante que a Casa se manifeste e que o debate seja mantido.

Tribuna do Paraná: O senhor insiste que não haverá troca de cargos num eventual mandato seu. Como isso vai funcionar, se isso é a base da política?

Requião Filho: Se tudo der certo, teremos 9 partidos me apoiando e certamente diversos secretários de vários partidos. Quando o Requião foi governador, tinha até secretários da oposição, do PSDB. Lembra dos tucanos do bico vermelho? É uma construção de grupo, mas de conjuntura política, de pessoas que pensam minimamente alinhadas e têm o mesmo objetivo. Atualmente temos secretários que são pré-candidatos desde o primeiro dia em que assumiram suas pastas. Eles não se conversam, é cada um por si. Agora pensa num governo trabalhando junto, uma construção coletiva que não seja baseada em troca de favores. Você consegue trabalhar melhor assim. Você consegue crescer mais assim. As pessoas vêm com mais amor, com mais empatia e vontade de trabalhar em algo em que elas acreditam. Se você dá uma secretaria pra alguém que não pensa como você, só pra garantir um apoiozinho, um carguinho, aquela secretaria não vai trabalhar em consonância. O cara não vai estar feliz.

O que dizem os citados

Citado por Requião Filho, o governador Ratinho Júnior se pronunciou por intermédio de sua assessoria de imprensa.

O entrevistado demonstra desinformação. O programa de benefícios fiscais existe desde os anos 90 e é usado pelos estados para atrair investimentos privados. A lista atual dos incentivos inclui todos os protocolos do Paraná, inclusive aqueles assinados pelo governador Roberto Requião.

O aumento no valor total da renúncia fiscal dos últimos anos é fruto de uma mudança de metodologia para garantir transparência. A Secretaria da Fazenda passou a apresentar na LDO a totalidade das renúncias fiscais desde o início.

A maior parte das renúncias fiscais de caráter geral do Estado está concentrada no apoio ao Simples Nacional e na desoneração da Cesta Básica. Os novos incentivos pontuais concedidos têm forte apelo social, como a isenção para absorventes, medicamentos específicos, energia solidária, biorrefinaria e insumos para obras públicas.

O Governo do Paraná também implementou o maior programa de compliance do Brasil e refuta qualquer sugestão de favorecimento.”


Metodologia: 1.000 entrevistados pelo IRG Pesquisas entre os dias 16 e 20 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3,1 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-06178/2026.

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