O número de emplacamentos de veículos leves eletrificados no Paraná cresceu mais de 580% em três anos, passando de 4.061 unidades entre janeiro e outubro de 2023 para 27.653 no mesmo período de 2026. O avanço coloca o estado na liderança da região Sul e na quarta posição do ranking nacional, mas também aumenta a demanda por pontos de recarga. Em Curitiba, a proporção chega a 28 veículos plug-in por eletroposto, o que também constitui uma pedra no sapato de quem tem eletrificado: o tempo e disponibilidade de recarga.

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Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Paraná somava 2.513 eletropostos até setembro de 2026. Curitiba lidera a infraestrutura no estado, com 796 pontos, seguida por Londrina (213), Maringá (198), Cascavel (177) e São José dos Pinhais (177).

O crescimento da frota e a necessidade de mais locais para reabastecimento dos eletrificados, abrem espaço para novos negócios em postos de combustíveis, hotéis, shopping centers, supermercados e estacionamentos, que passam a oferecer o serviço para atrair consumidores. Um desafio da expansão da rede é acompanhar a popularização dos veículos elétricos e híbridos.

No Paraná, segundo levantamento feito pela ABVE, os emplacamentos passaram de 8.479 unidades nos dez primeiros meses de 2024 para 12.671 no mesmo intervalo de 2025, antes de alcançar o resultado registrado em 2026 (27.653 emplacamentos).

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O movimento constatado pela ABVE no Paraná acompanha a expansão nacional. O Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados emplacados desde 2012 em setembro de 2026. Entre janeiro e agosto deste ano, foram 328.483 novos emplacamentos, volume quase 47% superior ao total registrado em todo o ano de 2025.

“Os desafios da eletromobilidade agora são outros: consolidar um parque industrial brasileiro de peças e componentes para veículos elétricos, avançar na segurança regulatória e tributária nas operações de recarga elétrica e – principalmente – explorar ao máximo o potencial brasileiro de atração de investimentos”, revela Ricardo Bastos, presidente da ABVE.

Infraestrutura de recarga no Paraná

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O avanço da eletrificação coloca o Paraná em destaque na infraestrutura de recarga. Segundo Rodrigo Batista, especialista em mobilidade elétrica e CTO da Voltta Energy, o estado ocupa o terceiro lugar nacional em número de veículos plug-in e o segundo em pontos de recarga entre as unidades da Federação.

A expansão, porém, ainda não acompanha o ritmo de crescimento da frota. “A grande dor hoje do motorista é a infraestrutura de recarga. E você ainda tem uma velocidade de venda do veículo que vai demorar um tempo para a infraestrutura acompanhar. É muito mais fácil você vender um veículo elétrico do que instalar um eletroposto”, explica Batista.

Para o especialista, é necessário garantir que os equipamentos estejam disponíveis e funcionando adequadamente. A operação contínua e a manutenção são fatores importantes para a utilização da rede. A instalação de carregadores rápidos exige locais com capacidade elétrica compatível, o que condiciona a escolha dos pontos pelos operadores.

O motorista de aplicativo Augusto Sérgio dos Santos, que trabalha pelas ruas de Curitiba há cerca de um ano, explica que fazer a recarga durante a jornada não tem sido um problema na capital, pelo contrário. “Em Curitiba não tenho dificuldades em recarregar. Se um eletroposto está ocupado, rodo mais um pouco até achar um livre”, explica.

Santos revela a importância destes ambientes também para o bem-estar dos motoristas de aplicativo. “Muitos destes locais oferecem uma estrutura considerável com pequenas lojas, banheiro. Reabastecer vira um momento de descanso, uma pausa na jornada puxada dos motoristas”, afirma.

Estação de recarga para veículos leves eletrificados operada pela Voltta Energy. Foto: Divulgação/Voltta Energy

Oportunidades em postos, hotéis e supermercados

Estabelecimentos como hotéis, estacionamentos, shopping centers e supermercados já contam com eletropostos para aproveitar o tempo de permanência dos consumidores.

O especialista destaca que a potência dos carregadores deve considerar o tempo de permanência do motorista. Em um shopping center, onde a permanência varia de uma a três horas, não é necessário oferecer a mesma potência de um ponto de parada rápida. “O importante não é a potência, o importante é o tempo que você tem”, afirma Batista.

Além da cobrança pela energia, os eletropostos funcionam como ferramenta para atrair consumidores. Hotéis podem oferecer créditos de recarga aos hóspedes, e estabelecimentos comerciais podem usar cupons e benefícios para estimular o serviço.

“Mas quando que se imaginou que um estacionamento de hotel poderia ser um local de exploração comercial para recarga de veículos elétricos? E é o que a gente tem. Isso mostra a versatilidade que é possível dentro de um contexto de eletropostos”, diz.

Segundo ele, há, inclusive, um movimento de postos de combustíveis desligando bombas de GNV (gás natural veicular) para implantação de carregadores. “A infraestrutura elétrica necessária para alimentar esses compressores de gás é muito grande e atende perfeitamente aos requisitos dos eletropostos”, revela.

Essa disponibilidade de infraestrutura, segundo Batista, torna os próprios postos, assim como os estacionamentos de shoppings e supermercados, locais naturalmente favoráveis para a instalação de eletropostos.

A versatilidade dos eletropostos é um grande destaque destas estruturas, segundo Rodrigo Batista, da Voltta Energy. Foto: Divulgação/Voltta Energy

Eletropostos em condomínios são solução para “condôminos eletrificados”

A questão da recarga de veículos elétricos em condomínios residenciais — especialmente nos edifícios sem infraestrutura para pontos individuais — tornou-se pauta constante nas assembleias. Para contornar o problema, o mercado e os especialistas vêm apontando diferentes soluções técnicas e de gestão.

Uma das alternativas mais viáveis é a instalação de carregadores em vagas compartilhadas (de uso comum), equipados com controle digital de acesso e medição individual de consumo para rateio preciso entre os usuários. Com esse sistema, paga a conta apenas quem usa.

Segundo Batista, as vagas de uso comum surgem como uma solução de transição indispensável para os condomínios que ainda não possuem capacidade estrutural para atender a todos os condôminos simultaneamente.

“Ter vagas de garagem de uso comum alimentadas por um sistema de rateio de energia é um bom caminho para resolver esse impasse. Já para os casos em que se opta pela individualização das vagas, existem diferentes soluções disponíveis: desde cada morador conectar o carregador diretamente à sua própria conta de luz (unidade consumidora), até a implementação de sistemas de balanceamento de potência, que distribuem a energia entre os veículos de acordo com a capacidade disponível na rede do condomínio”, avalia o especialista.