O Paraná, junto com o Distrito Federal, tiveram a maior alta no preço do arroz nos supermercados no mês de agosto na comparação com janeiro e fevereiro. De acordo com o levantamento da empresa de inteligência de mercado Horus, com base em notas fiscais, o aumento no Paraná foi de 55,1%. O estado foi superado apelas pelo Distrito Federal, com reajuste de 55,1%.

O reajuste vem sendo conferido em todo o Brasil desde o início da pandemia do coronavírus, o que levou o Ministério da Justiça a notificar quarta-feira (9) supermercados e produtores a explicar o aumento de um dos principais alimentos da cesta básica. A cobrança foi feita pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça. Os esclarecimentos deverão ser prestados em cinco dias pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), além de produtores e cooperativas.

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A Procuradoria de Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR) já havia comunicado à Secon no dia 2 de setembro o aumento não só do arroz, mas também do leito, óleo de soja e outros produtos da cesta básica. Desde o fim de agosto, diversas denúncias do reajuste do arroz chegaram ao Procon-PR.

Luiza Zacharias, diretora da Horus, afirma que o auxílio emergencial oferecido pelo governo aumentou o volume de dinheiro nos supermercados, ou seja, o recurso foi consumido em parte pela alta nos preços. “É onde as pessoas de baixa renda vão aplicar o que recebem para sobreviver. Ao mesmo tempo, sabemos que há um interesse maior em exportar, pela alta do dólar, e houve problemas com a safra de arroz”, diz ela.

Semana passada, associações do setor de supermercados lançaram cartas públicas chamando atenção para a alta do preço em itens da cesta básica. As entidades também atribuíram as elevações ao efeito do câmbio, crescimento da demanda interna impulsionada pelo auxílio emergencial e à diminuição das importações.

Bolsonaro pede patriotismo

Antes de o Ministério da Justiça cobrar explicações do reajuste no preço do arroz, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou terça-feira (8) que medidas estão sendo tomadas pelos Ministérios da Economia e da Agricultura para dar uma resposta à alta dos preços dos alimentos. Ele apelou aos supermercados para que diminuam margens de lucro.

“Eu tenho apelado a eles. Ninguém vai usar caneta Bic para tabelar nada. Não existe tabelamento. Mas estamos pedindo para eles que o lucro desses produtos essenciais para a população seja próximo de zero. Eu acredito que, com a nova safra, a tendência é normalizar o preço”, afirmou.​

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Sexta-feira (4), o presidente chegou a pedir patriotismo às redes de supermercado para evitar a alta de preços da cesta básica. Na véspera da fala do presidente, associações do setor divulgaram cartas públicas alertando para o aumento de preços, que chega a superar 20% no acumulado de 12 meses em produtos como leite, arroz, feijão e óleo de soja.

Também na terça, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admitiu que o preço do arroz está alto no país. Ela, porém, prometeu que o governo federal conseguirá reduzi-lo.

As medidas a serem tomadas não foram explicadas, tanto pela ministra como pelo presidente. Ambos, contudo, descartam intervenções nos preços.

Em reunião ministerial, a ministra disse que não haverá falta do produto no mercado nacional. Ela afirmou ainda que a expectativa é que a safra do arroz seja excelente em 2021. “O arroz não vai faltar. Agora ele está alto, mas nós vamos fazer ele baixar. Se Deus quiser, teremos uma super-safra no ano que vem”, afirmou.

O que aumentou o preço?

Segundo entidades de supermercados, o aumento se acelerou por causa de fatores como a elevação do câmbio, a diminuição das importações e o crescimento da demanda interna. Até julho, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice de preços oficial do país, acumula alta de 2,31% em 12 meses. Mas, no mesmo período, o item de alimentação e bebidas já subiu 7,61%.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os preços de alimentos básicos aumentaram em 13 das 17 capitais pesquisadas em agosto. Na pesquisa da entidade, no ano, o preço do conjunto de alimentos necessários para as refeições de uma pessoa adulta aumentou 6,6% e, em 12 meses, 12,15%.