O senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná, manifestou apoio ao senador Flávio Bolsonaro na noite desta quinta-feira (14/5), após a divulgação de um áudio envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A gravação, revelada na quarta-feira (13/5) pelo The Intercept Brasil, mostra Flávio Bolsonaro pedindo recursos para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. No áudio, o senador menciona dificuldades financeiras da produção e cobra o envio de valores para quitar parcelas atrasadas do projeto.
Em publicação nas redes sociais, Moro afirmou que Flávio Bolsonaro já apresentou esclarecimentos sobre o episódio e disse que a situação está sendo utilizada politicamente pela oposição. O senador também relembrou que o filho do ex-presidente apoiou a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master.
“Flávio Bolsonaro apresentou suas explicações sobre o episódio, que está sendo explorado pelo PT, e reiterou seu posicionamento favorável à instalação da comissão. É o que eu sempre defendi: a instalação da CPMI do Master e uma investigação ampla e profunda. Quem não deve, não teme”, escreveu Moro.
O parlamentar também aproveitou a manifestação para defender propostas ligadas ao combate à corrupção no Paraná. Segundo ele, seu projeto político prevê a criação do que chamou de uma “fortaleza contra corruptos”. “Aqui no Paraná, nosso projeto para o Governo envolve a criação de uma Agência Estadual Anticorrupção, com mandato fixo para o diretor”, completou.
Outros nomes ligados à direita no Paraná também comentaram o caso. O pré-candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) afirmou que o áudio não indica prática de crime, mas apenas um pedido de patrocínio privado sem contrapartida. Já Paulo Martins (PL) e Filipe Barros (PL) compartilharam publicações em apoio a Flávio Bolsonaro.
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Entenda o caso
No áudio divulgado pelo The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro cobra Daniel Vorcaro pelo repasse de recursos destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Na conversa, o senador demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos e com possíveis impactos no andamento do projeto.
“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, afirmou o senador na mensagem com Vorcaro.
A reportagem também aponta, com base em mensagens de WhatsApp obtidas pela publicação, que parte dos valores teria sido repassada entre fevereiro e maio de 2025. As negociações envolvendo o projeto teriam alcançado cerca de R$ 60 milhões.
Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que o caso se refere apenas à busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem utilização de recursos públicos ou incentivos fiscais, como a Lei Rouanet. O senador também negou qualquer acerto de vantagem indevida com o banqueiro.
