A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou, nas primeiras horas desta sexta-feira (4), uma operação contra uma organização criminosa investigada por uma série de homicídios no bairro Abranches, em Curitiba.

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Ao todo, as equipes saíram às ruas para cumprir 17 mandados judiciais, sendo oito de prisão temporária e nove de busca e apreensão. Cinco suspeitos foram presos e dois permanecem foragidos.

As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada na região, com ramificações no tráfico de drogas também nos municípios de Colombo e Almirante Tamandaré.

No centro do esquema está Kainan Wesley Batista Meira, de 27 anos, conhecido como “Monstro” apontado pela polícia como liderança da facção e investigado por envolvimento em cerca de 30 homicídios no estado. Contra ele, há sete mandados de prisão em aberto.

Como atuava a facção?

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O histórico que envolve o investigado e a série de crimes é complexo e exigiu um trabalho detalhado da perícia técnica. Inicialmente, as mortes eram apuradas de maneira isolada em inquéritos distintos.

No entanto, o ponto de virada na apuração ocorreu após a conclusão de laudos periciais de balística, que identificaram que as mesmas armas — entre elas espingardas de calibre 12 — e o mesmo padrão de execução com múltiplos disparos foram utilizados em diferentes cenários.

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De acordo com a delegada Magda Marina Hofstaetter, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a linha central de investigação indica que os crimes seriam motivados por vingança.

A principal motivação apontada no decorrer do trabalho policial é a busca por vingança pela morte do pai do Kainan, Paulo Cesar Batista Meira, assassinado em 2002 dentro de casa. “Na época, os atiradores se passaram por policiais civis e o investigado, ainda criança, presenciou todo o crime”, explicou a delegada.

Esse trauma da infância, segundo a polícia, ajuda a entender o modo de atuação repetido nos crimes recentes: os executores costumavam utilizar fardas falsas da Polícia Civil, balaclavas e armamentos de grosso calibre para abordar as vítimas.

Para caçar os envolvidos na morte do pai, ele passou a torturar e executar os alvos. Com o tempo, as investigações apontam que ele “pegou gosto” pela vida do crime e expandiu as ações. As ações da facção já se expandiram para outros três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Histórico de crimes associados

Com o cruzamento das provas materiais e o avanço dos relatórios de balística, a DHPP conseguiu conectar a organização a uma sequência de homicídios registrados nos últimos anos na capital e na Região Metropolitana. Confira, a seguir, alguns dos casos:

  1. Janeiro de 2022: Duplo homicídio em um lava-car na Rodovia dos Minérios.
  2. Junho de 2022: Morte de um parente do próprio investigado.
  3. Maio de 2023: Execução de uma vítima atingida por diversos disparos.
  4. Outubro de 2024: Homicídio em frente a um supermercado.
  5. Março de 2025: Crime registrado nas proximidades de uma unidade de educação infantil, no Abranches.

A Polícia Civil também apura a relação da estrutura criminosa com ao menos outras nove mortes registradas em Almirante Tamandaré. A PCPR segue em diligências para localizar Kainan e Fernando Gabriel — um dos atiradores da facção —, que permanecem foragidos.

Informações que auxiliem na localização dos alvos podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 197 (Disque-Denúncia PCPR) ou 0800-643-1121 (DHPP).