Um produtor rural de São João do Ivaí, no Norte do Paraná, afirma ter perdido cerca de 400 mil peixes da espécie tilápia devido à queda de energia elétrica na região na tarde de terça-feira (29). Os equipamentos de oxigenação dos tanques dos animais pararam de funcionar e causaram um prejuízo estimado em R$ 2 milhões.
O produtor Matheus Pini relatou ao g1 Paraná que o fornecimento de energia foi retomado na tarde de quarta-feira (30) e que, ao entrar em contato com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a companhia retornou afirmando que as equipes estavam mobilizadas para resolver a situação.
Ele abriu um protocolo de ressarcimento do prejuízo, e a empresa informou que analisa os pedidos conforme os critérios previstos para esse tipo de atendimento. Em nota, a Copel lamentou o ocorrido e disse que o fornecimento foi interrompido devido a danos no sistema elétrico causados por fortes chuvas e ventos.
“A Copel lamenta o ocorrido na propriedade rural e informa que um evento climático severo atingiu a região de São João do Ivaí na tarde de terça-feira (29). O cliente teve o fornecimento de energia restabelecido na manhã de quarta-feira (30). A Copel recebe e analisa as solicitações de ressarcimento de danos pelo canal oficial. Os pedidos são analisados conforme os critérios previstos para esse tipo de atendimento”.
Segundo a companhia elétrica paranaense, foram registradas 385 ocorrências na rede de distribuição na região onde está localizada a propriedade, com 42 postes quebrados.
“A companhia ressalta que setembro foi o mês mais chuvoso dos últimos 29 anos no Paraná, segundo dados do Simepar. Ao longo do mês, as equipes da Copel atuaram ininterruptamente para reparar os danos provocados por quatro eventos climáticos severos consecutivos que atingiram o Estado”, diz ainda o comunicado da empresa.
Reclamações contra a Copel aumentaram
Como mostrou a Tribuna do Paraná, o número de reclamações de consumidores paranaenses contra a Copel registradas na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mais que dobrou no período de um ano.
Dados levantados pelo Sistema Faep (organização do setor agropecuário do Paraná) mostram que as queixas saltaram de cerca de 2,9 mil para mais de 6 mil registros, representando uma alta de 110%. A disparada nos índices motivou a entidade a acionar o Ministério Público do Paraná (MPPR) para solicitar a apuração da qualidade dos serviços prestados na distribuição de energia no estado.
Entre os motivos da insatisfação dos consumidores, a “falta de energia” é o mais citado, seguido de queixas sobre “variação de consumo”, pedidos ou problemas de “ligação” e “oscilação de tensão”.
Produtores rurais têm relatado prejuízos recorrentes com a oscilação de frequência da rede elétrica. No Oeste do estado, a instabilidade nos horários de pico afeta atividades como a piscicultura e a pecuária intensiva. O fenômeno chamado de “baixa tensão” impede que geradores particulares sejam acionados automaticamente, ao mesmo tempo em que trava o funcionamento de equipamentos cruciais para a produção.
