O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou as tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. Com a ameaça no local somado ao temor de redução na oferta, o preço do barril sobe. No Brasil, o reflexo tende a aparecer principalmente no valor dos combustíveis. A preocupação é com a alta no preço do Diesel, já registrada nas bombas do Paraná.
No Estado, o valor médio da gasolina informado pela Petrobrás está em torno de R$ 6,09 por litro. Em alguns postos de Curitiba, no entanto, o preço já se aproxima de R$ 7. De acordo com o Paranapetro, a diferença entre postos pode ultrapassar R$ 1 por litro em alguns casos.
Segundo o sindicato, a alta está relacionada à dependência brasileira de combustíveis importados. Atualmente, cerca de 30% do diesel e aproximadamente 10% da gasolina consumidos no país vêm do exterior. Assim, o valor final repassado ao consumidor depende do volume de combustível importado adquirido pelas distribuidoras e das oscilações do mercado internacional.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a formação de preços na cadeia de distribuição nacional é livre e segue a dinâmica de oferta e demanda. “Cada empresa elabora sua política comercial de acordo com a dinâmica dos mercados em que atua. Ressaltamos ainda que o IBP não tem acesso às estratégias comerciais das empresas de distribuição de combustíveis”, informou a entidade.
Agronegócio em alerta no PR com alta do Diesel
O aumento do diesel também acende um alerta no agronegócio. Levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP aponta que 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira é proveniente de combustíveis fósseis, principalmente o diesel. O insumo é essencial tanto para o funcionamento de máquinas agrícolas quanto para a logística de transporte da produção.
No Brasil, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas, incluindo grãos, fertilizantes, ração e outros insumos. Para manter a frota de caminhões em operação, o país depende do mercado externo, já que cerca de 29% do diesel consumido é importado.
Diante das oscilações no mercado internacional, os reflexos tendem a ser rápidos no campo. “O diesel é um insumo estratégico para o agronegócio”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP. “Já temos relatos dos nossos sindicatos rurais de que o combustível está faltando em entrepostos no interior do Paraná”, acrescenta.
No Paraná, os efeitos podem ser ainda mais intensos devido ao alto nível de mecanização agrícola. Culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até a colheita. Cadeias produtivas como avicultura, suinocultura e produção de leite também dependem de logística constante para transporte de ração, animais e produtos.
Para acompanhar possíveis impactos no abastecimento, o Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento. O grupo deve acompanhar diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis, avaliando riscos e eventuais medidas para garantir o fornecimento no país.
