Fronteira

Sem consenso, Ponte da Integração segue com uso restrito entre Brasil e Paraguai

Liberação para novos veículos na Ponte da Integração tem decisão adiada e depende de obras no Paraguai
Ponte da Integração Brasil - Paraguai. Foto: Albari Rosa/Arquivo AEN

A definição sobre a ampliação do funcionamento da Ponte da Integração Brasil–Paraguai, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco, foi adiada mais uma vez. Após uma série de reuniões realizadas na terça-feira (03/06), integrantes da Comissão Mista Brasil–Paraguai não chegaram a um consenso sobre as mudanças que poderão ser implementadas na operação da estrutura.

A expectativa de empresários, transportadores e lideranças da região Oeste do Paraná, bem como de empresários paraguaios da fronteira, era de que o encontro resultasse no anúncio de medidas para ampliar a utilização da ponte, considerada estratégica para o comércio internacional e para o escoamento de cargas na fronteira. No entanto, uma nova rodada de negociações foi marcada para o dia 19 de junho.

Segundo representantes dos dois países, o adiamento ocorreu devido à necessidade de aprofundar a análise dos dados técnicos apresentados durante a reunião. Estudos sobre fluxo de veículos, movimentação de cargas, impactos no trânsito da Ponte da Amizade e questões relacionadas à segurança e fiscalização ainda serão avaliados antes de uma decisão definitiva.

Quais veículos podem circular na Ponte da Integração?

A Ponte da Integração foi construída para complementar a Ponte Internacional da Amizade, principal ligação terrestre entre Brasil e Paraguai, que há décadas enfrenta congestionamentos frequentes e limitações operacionais em razão do intenso fluxo de veículos e pessoas. Mas, concluída em 2022, a nova estrutura ainda não é utilizada amplamente.

Atualmente, a nova ponte opera de forma restrita, permitindo principalmente a circulação de caminhões sem carga e algumas modalidades específicas de transporte de ônibus, somente entre 19h e 5h. A ampliação do funcionamento, incluindo a possibilidade de passagem de caminhões carregados, novos tipos de veículos e horários mais extensos de operação, segue em discussão.

A pressão pela abertura mais ampla da estrutura tem aumentado principalmente do lado paraguaio. Entidades empresariais e comerciantes de Ciudad del Este defendem que a ponte passe a operar com maior flexibilidade ainda antes do início da temporada de férias de inverno, período que tradicionalmente registra aumento no fluxo de turistas e consumidores brasileiros rumo ao comércio da cidade.

Entraves para abertura total da nova ligação entre Brasil e Paraguai

Os empresários argumentam que a utilização mais abrangente da nova ligação internacional poderia contribuir para reduzir congestionamentos na Ponte da Amizade e facilitar o acesso de visitantes à região comercial de Ciudad del Este, um dos principais polos de compras da América do Sul.

Entretanto, um dos principais entraves para uma abertura total da Ponte da Integração está na infraestrutura viária do lado paraguaio. A ponte sobre o Rio Monday, considerada peça fundamental do Corredor Metropolitano del Este, ainda está em construção e tem previsão de conclusão para meados de 2027. Do lado brasileiro, a logística está concluída desde o início de 2026.

Sem essa ligação complementar, autoridades técnicas avaliam que a malha viária paraguaia ainda não possui capacidade de absorver integralmente o fluxo que seria gerado por uma operação plena da nova ponte internacional. O receio é que a liberação irrestrita de veículos provoque gargalos em vias urbanas e comprometa a mobilidade na região de Presidente Franco e Ciudad del Este.

De acordo com o ministro de Segunda Classe do Ministério das Relações Exteriores, Daniel Falcon Lins, a intenção dos governos é que a decisão seja baseada em critérios técnicos. “Estamos tratando de fazer isso da forma mais científica possível, com base em dados e informações sobre o volume de tráfego de pessoas e veículos, para que a decisão tomada tenha critérios técnicos”, afirmou.

Governo brasileiro espera uso logístico para a ponte

A expectativa do governo brasileiro é que a Ponte da Integração desempenhe papel fundamental na reorganização da logística da fronteira. A proposta defendida pelo Itamaraty é que a estrutura seja utilizada prioritariamente para o transporte de cargas, contribuindo para desafogar o trânsito na Ponte da Amizade e melhorar a fluidez do tráfego internacional.

Segundo Lins, as duas pontes precisam ser analisadas de forma integrada. “O funcionamento das duas pontes deve ser visto como um único sistema. O que acontece em uma impacta diretamente a outra”, explicou.

Além do trânsito: Ponte da Integração demanda serviços de segurança

A discussão vai além da logística. A ampliação do uso da ponte também depende da atuação coordenada de órgãos responsáveis pela fiscalização aduaneira, controle migratório e segurança pública dos dois países.

Para o Paraná, a definição é acompanhada com atenção por diversos setores econômicos. A região Oeste concentra importantes corredores de exportação e importação, além de desempenhar papel estratégico na integração comercial do Mercosul. A expectativa é que a plena utilização da Ponte da Integração contribua para reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das empresas e melhorar a mobilidade na fronteira.

Apesar da ausência de uma decisão concreta, os integrantes da Comissão Mista afirmaram ter avançado nas discussões e demonstraram otimismo quanto à possibilidade de anunciar mudanças após a próxima reunião.

Até lá, permanece a expectativa de que a nova ponte, inaugurada como uma das principais obras de infraestrutura da fronteira brasileira nos últimos anos, passe a cumprir papel mais amplo no transporte internacional de cargas e na integração econômica entre Brasil e Paraguai.

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