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Pesquisa sobre células- tronco exige cautela

  • Por Mara Andrich

O desenvolvimento da primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas no Brasil foi anunciado ontem, em Curitiba, durante o Simpósio Internacional de Terapia Celular, que ocorre no Estação Convention Center até o próximo sábado.

A linhagem – grupo de células que cresce em laboratório e são mantidas vivas – foi desenvolvida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP). Segundo eles, com esses estudos, o Brasil não vai mais precisar importar linhagens congeladas de outros países.

Cautelosos, os pesquisadores consideram que a pesquisa é um grande passo para que, no futuro, possam ser utilizadas essas células até mesmo para a cura de algumas doenças, como o mal de Parkinson, por exemplo.

O coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiopatias do Ministério da Saúde e coordenador de Ensino e Pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras, Antônio Carlos de Campos de Carvalho, alerta que é preciso ser prudente na hora de afirmar que a linhagem representa a cura de doenças.

“Não é bem assim. Nós não somos vendedores de milagres. É importante salientar que o desenvolvimento da linhagem é um grande passo, abre um gargalo para novas descobertas. Conquistamos o que não tínhamos, teremos novas oportunidades a partir de agora, mas não podemos afirmar nada ainda”, disse. Segundo ele, a importação não era uma grande preocupação em termos financeiros, mas agora a propriedade intelectual é do Brasil.

O estudo durou três meses, e somente depois de 35 tentativas é que a linhagem foi desenvolvida. Desde então, os cientistas passaram a multiplicá-la, tornando-a capaz de se transformar em qualquer outro tecido humano. O trabalho está sendo coordenado pela geneticista Lygia da Veiga Pereira.

A primeira linhagem de células-tronco foi desenvolvida no mundo há dez anos. No Brasil, o uso de embriões humanos em pesquisa foi legalizado em 2005, pela Lei de Biossegurança.

Outro estudo que está sendo realizado pelos pesquisadores pode ser a esperança para pessoas que sofrem com quatro tipos de doenças do coração: infarto, isquemia crônica, cardiopatia dilatada – o popular inchaço no coração – e doença de Chagas. Trata-se da terapia com células-tronco para combater estas doenças.

Os pesquisadores estão desenvolvendo os estudos em 450 pacientes de todo o País, mas pretendem chegar a 1.200. De acordo com o cardiologista e coordenador do Simpósio, Paulo Brofman, a terapia pode significar a manutenção de milhares de vidas a cada ano no Brasil, pois todos os anos surgem 240 mil novos casos de insuficiência cardíaca no País, sendo que metade dessas pessoas morrem em até cinco anos.

“O padrão ouro é o transplante, mas a terapia pode retardar, ou até recuperar a função do coração”, explicou. Os primeiros resultados dessa pesquisa devem ser divulgados em dezembro deste ano.

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