O número de diagnósticos de câncer infantojuvenil caiu em 2025 no Paraná, segundo dados do Painel Oncologia Brasil (DATASUS), do Ministério da Saúde. No ano passado, foram registrados 386 diagnósticos em crianças e adolescentes de até 19 anos. Em 2024, o total havia sido de 692 casos.
O cenário acompanha a tendência nacional. Em 2024, o Brasil registrou 15.811 diagnósticos. Em 2025, o número caiu para 11.984. Assim como no Paraná, a faixa etária com mais registros é a de 17 e 18 anos, que somou 85 casos no estado no ano passado.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer infantojuvenil afeta, principalmente, as células do sangue e os tecidos de sustentação. Esse tipo de câncer representa cerca de 3% de todos os casos no país. Por ser formado, em grande parte, por células embrionárias indiferenciadas, costuma responder melhor aos tratamentos.
As causas ainda não são totalmente conhecidas. Cerca de 10% dos casos estão associados a alterações genéticas ou hereditárias. Mesmo assim, o diagnóstico precoce segue como um dos principais fatores para aumentar as chances de cura.
A leucemia, especialmente a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), é o tipo mais frequente entre crianças e adolescentes. Ela responde por cerca de 30% dos casos. Também são comuns tumores do Sistema Nervoso Central (SNC), linfomas, neuroblastomas, retinoblastomas e sarcomas.
Sintomas
Os sintomas costumam se confundir com doenças comuns da infância. Alguns sinais, porém, aparecem de forma persistente e sem causa aparente, como palidez, hematomas ou sangramentos, dor óssea, perda de peso inexplicada, tosse persistente, sudorese noturna e falta de ar.
“É essencial ficar atento às alterações nos olhos, inchaço abdominal, dores de cabeça persistentes ou intensas, vômitos pela manhã com piora ao longo do dia, além de dor em membros e inchaço sem traumas”, explica o pediatra e membro da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP), Tiago Dalcin.
O tratamento exige terapias específicas e atenção constante da família. Em muitos casos, pais e responsáveis precisam se afastar do trabalho e enfrentar longos deslocamentos para acessar centros especializados.
“O cuidado com o câncer infantil vai muito além do tratamento da doença. É um trabalho feito por uma equipe multiprofissional, que atua para reduzir os impactos físicos e emocionais do processo”, reforça o médico.
Para Dalcin, a presença da família é fundamental para a segurança emocional da criança. “Humanizar o cuidado é entender que essa família está vivendo uma ruptura profunda na rotina e precisa ser acolhida durante todo o processo”, finaliza.



