O boletim da Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), divulgado em março, aponta 62% de chance de formação do El Niño ainda em 2026. O fenômeno deve começar entre julho e agosto, na transição do inverno para a primavera.

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A última ocorrência de El Niño foi em 2023 e se estendeu até o primeiro semestre de 2024. Desde então, o sistema predominante é a La Niña, que teve episódios até abril de 2025 e voltou a se formar a partir de outubro do mesmo ano.

Em abril, a La Niña entra em fase de neutralidade. Até a possível confirmação do El Niño, o Oceano Pacífico permanece sem a atuação direta de um desses fenômenos. Mesmo assim, a chance de retorno do aquecimento acende um alerta para a Região Sul do Brasil.

Último El Niño provocou desastres no Rio Grande do Sul

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial, o El Niño ocorre em intervalos irregulares de dois a sete anos. O ciclo climático se alterna entre três fases: El Niño (aquecimento), La Niña (resfriamento) e condição neutra.

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No último episódio, o aquecimento contribuiu para o avanço da seca na Região Norte, que evoluiu de níveis fracos para extremos em algumas áreas. Já na Região Sul, as áreas com seca moderada a extrema diminuíram gradualmente.

Por outro lado, o aumento das chuvas no Sul resultou no maior desastre climático já registrado no Rio Grande do Sul. Cerca de 2,4 milhões de pessoas, em 478 municípios, foram afetadas. O evento deixou 183 mortos e provocou prejuízos econômicos bilionários.

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Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno tende a elevar os volumes de precipitação, principalmente no inverno e na primavera. O excesso de umidade no solo pode prejudicar o desenvolvimento de lavouras, com impacto na produção de grãos no Paraná.

Entenda o fenômeno

Durante episódios de El Niño, as temperaturas da superfície do mar ficam ao menos 0,5 °C acima da média por um período prolongado. Um dos principais fatores envolvidos é o comportamento dos ventos alísios, que sopram dos hemisférios Norte e Sul em direção à Linha do Equador.

Em condições normais, esses ventos empurram as águas superficiais do Pacífico para o oeste, permitindo a subida de águas mais frias das camadas profundas. Esse processo regula o clima global.

Quando os ventos alísios enfraquecem ou mudam de direção, essa dinâmica é interrompida. As águas quentes permanecem concentradas na superfície por mais tempo e podem registrar temperaturas até 3 °C acima da média, caracterizando a formação do El Niño.