O Instituto Água e Terra (IAT) emitiu o Decreto nº 14.477, que atualiza a lista de animais ameaçados de extinção no Paraná, somando 345 espécies distribuídas em 15 grupos de fauna. O IAT apresenta 11 classificações para os animais, que vão desde “não aplicável” ou “dados insuficientes” até “regionalmente extinta”. Nesta última categoria estão oito espécies, entre aves e abelhas.

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A principal mudança foi a inclusão de 252 moluscos, dos quais 25 estão em categorias de ameaça. O decreto de 2024 já previa o grupo, mas as avaliações científicas não tinham sido acrescentadas. Entre os moluscos, o maior risco atual é para o Mirinaba curitybana, um caracol raro que vive em Curitiba e ajuda a manter o equilíbrio ecológico.

O IAT também mantém a lista atualizada no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada do Paraná, onde estão elencadas 110 aves e 17 mamíferos. Cinco grupos de animais deixaram os níveis de risco neste último levantamento. Ainda assim, o número de espécies consideradas em perigo de extinção crítico aumentou de oito para 17.

Na versão mais recente, a nova espécie listada foi um peixe conhecido popularmente como emplastro-amarelo ou raia-emplastro. Capturada frequentemente na pesca de arrasto de fundo, a espécie foi classificada como vulnerável após sofrer uma redução de 30% em sua população.

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De acordo com o IAT, a atualização foi significativa e preocupante, devendo “estimular a reflexão acerca da efetividade das estratégias de conservação que têm sido utilizadas no estado”.

Entre os principais fatores de ameaça, o IAT cita: grandes projetos que colocam a Mata Atlântica em risco; a transformação da paisagem provocada por usinas hidrelétricas; o avanço da agropecuária sobre ecossistemas naturais; a caça e o tráfico de animais silvestres; além de doenças transmitidas por animais domésticos às espécies selvagens.

Mamíferos ameaçados

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Já presentes na edição anterior do Livro Vermelho, todos os mamíferos mantiveram as classificações de risco, com exceção do bicho-preguiça-comum, que deixou a lista de ameaçados por já ser considerado extinto no Paraná. A presença dele ainda é comum em outros estados.

Entre os carnívoros, a lista indica atenção redobrada com a onça-pintada e o cachorro-do-mato-vinagre. Além disso, constam como “em perigo” o lobo-guará e o gato-maracajá. Já a paca, a jaguatirica, a onça-parda e a lontra são classificadas pelo livro como vulneráveis.

Entre os morcegos, único grupo de mamíferos voadores, três espécies estão criticamente em perigo, duas em perigo e duas vulneráveis.

Aves em perigo de extinção

Na lista das aves, 110 são consideradas ameaçadas de extinção e sete já foram extintas do estado. Entre as demais, quatro estão classificadas como Possivelmente Extintas (PE), 23 estão criticamente em perigo, 40 em perigo e 43 vulneráveis.

Entre as espécies listadas estão a arara-canindé, a arara-vermelha, o pica-pau-de-cara-canela, o papagaio-de-cara-roxa e o papagaio-de-peito-roxo. No caso das araras e de alguns papagaios, é possível encontrá-los em cativeiro em locais como o Passeio Público, em Curitiba.

De acordo com o IAT, as causas da degradação permanecem as mesmas desde os anos 1940, quando se intensificou a exploração madeireira da Mata Atlântica, do Cerrado e dos Campos Gerais, aliada à expansão da agropecuária.

O instituto aponta que ainda é possível encontrar muitas espécies de aves em unidades de conservação e áreas com restrição de corte. Além disso, a população tem desempenhado um papel importante nos registros de fauna por meio de plataformas como WikiAves e eBird, que se tornaram relevantes bancos de dados participativos.