O Paraná fechou uma parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para aplicar no estado o MIT Regional Entrepreneurship Acceleration Program (MIT REAP), um dos principais programas internacionais de desenvolvimento de ecossistemas de inovação e empreendedorismo. Durante dois anos, lideranças do setor produtivo, da academia e do poder público passarão por imersões com mentores dos Estados Unidos para atrair capital de risco e acelerar a criação de novas tecnologias e startups.
O lançamento oficial da atividade acontece dia 18 de agosto na Lake House, em Londrina, sede do escritório do programa no Paraná.
O MIT REAP usa uma metodologia própria para ajudar regiões a diagnosticar as possibilidades de inovação e construir estratégias de desenvolvimento baseadas no empreendedorismo, articulando governo, universidades, empresas, capital de risco e empreendedores.
A articulação partiu do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial, em parceria com universidades e o setor produtivo. Na mesma ocasião, será lançado o Instituto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Inovador (IDE), organização que vai coordenar as ações do programa nos próximos anos.
Fomento e visão de longo prazo
Para o secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm, o papel do poder público é criar condições para que os demais atores do ecossistema atuem de forma coordenada. “O governo tem que ser um fomentador, estimular, regular e criar políticas favoráveis à inovação e ao empreendedorismo”, afirma.
Segundo o secretário, a proposta não se limita a ações pontuais, mas busca construir uma estrutura de longo prazo para o desenvolvimento regional. Stamm também relaciona a entrada no MIT REAP à evolução do Paraná nos rankings de inovação: o estado subiu da sexta para a terceira posição entre os mais inovadores do país e mira o segundo lugar. “Tudo isso tem a ver com investimento na área de inovação. A gente trabalha muito com a academia, com as universidades”, diz.
Conexão entre universidade e mercado
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma das instituições envolvidas na iniciativa. Para a reitora Andrea Name Colado Simão, a participação no programa reforça um projeto que a universidade já vem construindo: aproximar a pesquisa acadêmica das necessidades da sociedade e do mercado. “A universidade ainda está distante do mundo dos negócios. Essa distância existe, é real”, pontua.
A reitora destaca que a experiência deve contribuir diretamente para a formação dos estudantes. “É o projeto de universidade que a gente gostaria de ter: uma universidade voltada a resolver os problemas da sociedade e fazer com que a gente tenha uma formação profissional alinhada ao que o mercado exige.” Andrea ressalta ainda o caráter inédito da oportunidade para pesquisadores e professores da instituição: “É um diferencial que as outras não vão ter”.
Presença global e investimento
O Paraná integra a 12ª coorte do programa, ao lado de Benim, Bulgária, do estado mexicano de Yucatán, da região de Kano-Jigawa (Nigéria) e do cantão de Zurique (Suíça). No Brasil, o Rio de Janeiro participou da 8ª coorte, com foco em energia e sustentabilidade, e o Piauí integrou a 9ª, voltada à saúde digital.
A participação paranaense terá dois anos de duração e inclui workshops internacionais no MIT, diagnóstico do ecossistema regional e construção de estratégias de aceleração do empreendedorismo. O investimento de US$ 425 mil na etapa inicial é custeado pelos empresários Mario Marcondes, Fernando Massi e Alfons Gardemann — o custo total estimado para os dois anos de trabalho é de cerca de US$ 1 milhão.
