O Paraná está prestes a ganhar uma nova Unidade de Conservação (UC) com a criação da Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) dos Monos de Castro. Localizada no município de Castro, na região dos Campos Gerais e estrategicamente próxima ao Vale do Ribeira, esta será a 75ª Unidade de Conservação (UC) do estado.
Com uma extensão de 6,2 mil hectares — o equivalente a mais de 8 mil campos de futebol —, a reserva nasce com a missão de preservar o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides).
Também conhecido como mono-carvoeiro, o muriqui-do-sul é o maior primata das Américas, chegando a medir até 1,5 metro. Mais do que pelo porte, a espécie impressiona pela função ecológica: ele é considerado um dos maiores “restauradores da floresta”. Ao se alimentar de frutos, folhas e flores, um único indivíduo pode dispersar sementes de até oito espécies de plantas em apenas um dia, sendo um motor vital para a regeneração da Mata Atlântica.
O animal está hoje criticamente ameaçado de extinção, o que torna a criação desta área um passo importante para garantir que ele tenha um habitat seguro e adequado para prosperar.
Pagamentos por Serviços Ambientais
A nova unidade será uma categoria de Uso Sustentável, o que significa que o cuidado com a natureza acontecerá com a economia local. Como a reserva abrange propriedades particulares, o modelo de gestão prevê o uso regulado dos recursos e a manutenção de atividades produtivas que não agridam o ecossistema.
Para apoiar os proprietários rurais nessa transição, o governo utilizará o instrumento de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), premiando financeiramente aqueles que conservam a biodiversidade nas terras.
O processo de criação, conduzido pelo Instituto Água e Terra (IAT), já passou pela fase de consultas públicas e deve ser oficializado ainda neste ano via decreto estadual. Após a publicação, o complexo terá cinco anos para elaborar um Plano de Manejo, detalhando o zoneamento ecológico e as regras de visitação controlada.



