Fraude

ONG de animais do Paraná é investigada por desviar R$ 1,6 milhão de doações

Fotografia em primeiro plano e plano detalhe focada através da trama de uma cerca de arame galvanizado em um abrigo de animais. Em primeiro plano, no centro-direito, a cabeça de um cão de porte médio a grande, com pelagem branca e manchas marrons no focinho e orelhas, sobressai encostada na cerca com o focinho direcionado à câmera. No plano intermediário, logo atrás e desfocados pela profundidade de campo rasa, veem-se outros cães de pelagens variadas — em tons caramelo, bege e preto — sobre o solo de terra batida. Ao fundo, a estrutura de uma construção em tom claro é visível sob iluminação diurna uniforme.
ONG atuava em Campo Largo. Foto: Arquivo/Daniel Castellano/Gazeta do Povo.

A 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou a Operação Resgate contra dirigentes de uma ONG de proteção animal nesta sexta-feira (18).

A entidade é investigada por desviar cerca de R$ 1,6 milhão arrecadados em doações, rifas, bingos e sorteios. Durante a ação, equipes policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados à instituição em Campo Largo e na capital.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores do grupo até o limite do montante investigado, além da suspensão imediata de qualquer atividade de captação de recursos pela entidade.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), o núcleo familiar que controlava a diretoria e o conselho fiscal usava contas pessoais da diretora executiva para reter o dinheiro.

Dos cerca de R$ 5,9 milhões arrecadados pela instituição, relatórios de auditoria e do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) revelaram que mais de R$ 1,67 milhão em doações — vindas de vaquinhas virtuais e plataformas de pagamento — foram recebidos diretamente nas contas da gestora e nunca repassados à entidade.

As investigações apontam que cerca de R$ 435 mil teriam sido repassados para uma amiga íntima da diretora, valor utilizado para fundar uma clínica veterinária particular. Essa mesma clínica tornou-se, posteriormente, a maior credora da ONG, cobrando dívidas milionárias da própria instituição.

As apurações mostram ainda indícios de fraudes na realização de rifas e sorteios de veículos, como o caso de um carro anunciado como prêmio que pertencia ao pai da diretora e continuou sendo utilizado por ela após a ação beneficente.

Os levantamentos demonstraram intensa confusão patrimonial, com uso do dinheiro arrecadado para o pagamento de despesas pessoais da dirigente — como compras, faturas de cartão de crédito e apostas —, além do registro de veículos custeados pela ONG em nome próprio e de familiares.

As acusações envolvem crimes de organização criminosa, peculato-desvio, lavagem de dinheiro e infrações contra a economia popular. Por determinação judicial, o processo corre em segredo de Justiça.

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