Receber o diagnóstico que um filho tem autismo, TDAH, TOD e outras neurodivergências coloca muitas famílias em uma mistura de sentimentos muito confusa: vai do pânico à negação, da culpa ao sentir-se perdido, sozinho, sem apoio.

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A psiquiatra maringaense Maria Cláudia Bagatin Pismel passou por isso quando seu filho foi diagnosticado com autismo. Depois de 11 anos vivendo a maternidade atípica, estudando muito e despertando a vontade de ajudar outras famílias, ela e o psicólogo Gabriel Arndt se uniram para criar uma plataforma sobre neurodivergências, a Neuve.

Criada em Maringá, a Neuve reúne médicos, psicólogos, terapeutas, educadores e outros especialistas em uma plataforma digital com conteúdos sobre autismo e outras neurodivergências. A proposta é aproximar famílias e profissionais de informação confiável em um momento marcado por dúvidas, filas e excesso de conteúdo na internet nada confiáveis.

A experiência ajudou a revelar um problema comum. Depois da suspeita ou do diagnóstico, muitas famílias não sabem qual caminho seguir. Elas precisam encontrar profissionais (sem saber exatamente qual profissional buscar), entender as terapias disponíveis e buscar informações sobre o autismo. No entanto, nem sempre conseguem atendimento rapidamente, ainda mais se o atendimento é no sistema público de saúde.

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“Faz o que nesse tempo?”, questiona Maria Cláudia ao falar sobre as filas por consultas com especialistas. Segundo ela, a espera por neuropediatras e psiquiatras pode chegar a meses, inclusive no atendimento particular.

Enquanto aguardam, muitas famílias recorrem à internet. Porém, o excesso de informações também traz outro problema: conteúdos sem respaldo científico, falsas promessas e profissionais sem qualificação adequada.

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Foi nesse espaço que nasceu a Neuve.

Plataforma sobre autismo

A plataforma funciona como um hub de conteúdo digital. Gabriel compara o modelo a um “Netflix do autismo”. O usuário encontra vídeos com entrevistas, aulas, orientações práticas e relatos de famílias.

O conteúdo reúne profissionais de diferentes áreas. Entre eles estão pediatras, neurologistas, psiquiatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, educadores físicos, nutricionistas, fisioterapeutas, pesquisadores e profissionais da educação.

E a proposta da plataforma sobre autismo não é atender somente as famílias atípicas. Mas também os diversos profissionais da saúde e da educação (pediatras, psicólogos, professores, pedagogos, etc.) que atuam com neurodivergentes. Até mesmo empresas que possuem pessoas atípicas no quadro de colaboradores podem se beneficiar do conteúdo, para promover a inclusão de forma consciente. 

“É um espaço amplo de conhecimento sobre autismo e outras neurodivergências”, explica Gabriel.

A plataforma foi lançada em 22 de agosto, depois de cerca de nove meses de planejamento. Já conta com um acervo inicial de mais de 30 profissionais gravados.

Conforme Maria Claudia, novos conteúdos entram no ar duas vezes por semana, às segundas e sextas-feiras. A programação inclui entrevistas completas, aulas, podcasts, materiais educativos e vídeos curtos chamados de “Minuto Informativo”.

Há também uma área gratuita. Nela, o público pode assistir a cortes e versões resumidas dos conteúdos. Já o acesso completo custa R$ 45,50 por mês, em assinatura recorrente.

Para acessar a plataforma, é preciso inicialmente acessar o site da Neuve. No canto direito superior da página, tem um botão ‘“Faça o cadastro gratuito ou entre na conta”. Pronto! Ali é o acesso à plataforma.

De Maringá para outros mercados

A Neuve nasceu com foco inicial no universo do autismo. No entanto, os fundadores já planejam ampliar a plataforma. A expectativa é incluir outras neurodivergências, como TDAH, altas habilidades e outras. A equipe também pretende desenvolver uma versão para celular.

Outro passo previsto é transformar a Neuve em um marketplace de profissionais. Segundo a psiquiatra, a internet tem muito conteúdo sobre o tema. O difícil é saber a confiabilidade do que é apresentado. Portanto, a ideia da Neuve é facilitar a localização de clínicas e especialistas idôneos e focados nas neurodivergências, que possam atender as famílias que chegam à plataforma.

Para Maria Cláudia e Gabriel, a tecnologia não substitui o atendimento profissional. O objetivo é diminuir a distância entre o diagnóstico, o conhecimento e a busca por ajuda. Tudo de forma organizada e que ensine e tranquilize famílias e profissionais.