Criminalidade

Mulheres simulam casamentos para passar ordens a líderes de facção no Paraná

Imagem mostra uma gente do GAECO de costas, com colete que traz o nome do grupo
Operação do GAECO identifica mulheres que forjaram casamentos para repassar informações a presos. Foto: Henry Milleo / Gazeta do Povo (Arquivo)

Uma operação do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu, nesta quinta-feira (18), mandados de busca e apreensão e busca pessoal contra duas mulheres suspeitas de fraudar casamentos para visitar presos e repassar ordens a líderes de facções. Ambas são residentes de Londrina.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), as investigações revelaram que elas atuavam como interlocutoras de líderes detidos no Sistema Penitenciário Federal (SPF). A comunicação ilícita ocorria por meio da simulação de matrimônios, garantindo o direito à visita aos cônjuges reclusos.

Uma das investigadas, já credenciada como visitante regular por ser esposa de um detento, viabilizou um casamento forjado entre a segunda suspeita e outro integrante da alta cúpula da facção, atualmente recolhido na Penitenciária Federal de Brasília.

Após cada visita, as mulheres transferiam informações e ordens aos líderes do grupo criminoso. Os líderes do grupo são parte da célula “Sintonia Final Geral”, vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A técnica de comunicação utilizada é conhecida no meio como “bate-bola”.

Casamento fraudulento aconteceu em março

O segundo matrimônio investigado foi formalizado em março de 2026, com registro civil e alteração do nome da noiva. Dados oficiais do sistema prisional, porém, atestaram que a mulher jamais havia visitado o detento, expondo a ausência de vínculo afetivo real.

O propósito era criar um status jurídico que preenchesse os requisitos normativos para a visita para, então, repassar informações. As apurações constataram ainda que as duas investigadas mantêm laços com familiares de outros criminosos.

Apesar das buscas, ambas permanecem em liberdade. De acordo com o MPPR, o cartório que registrou o casamento não é alvo da investigação, já que a oficialização do vínculo exige apenas a apresentação de documentos.

Além disso, no domicílio compartilhado pelas suspeitas em Londrina, a Justiça autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos, armas, valores em espécie, documentos e bens adquiridos com proveito do crime.

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