Arapongas, no Norte do Paraná, está sofrendo os impactos da alta no preço do petróleo ocasionada pela guerra entre o Irã e os Estados Unidos. A cidade detém o título de Capital Moveleira Nacional desde 2023, por meio da Lei 14.728, e segundo dados do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), produz 10 de cada 100 móveis produzidos no Brasil, além de exportar para vários países.
O município conta com mais de 380 indústrias no setor moveleiro, que empregam mais de 12.000 trabalhadores. Ainda conforme o Sima, o faturamento é superior a R$ 5 bilhões anuais, e cerca de 12% do que é produzido na região é exportado para mais de 40 países.
Em 2025 de acordo com o Brasil Móveis – Relatório Setorial da Indústria de Móveis no Brasil disponibilizado pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), havia 22.843 empresas ativas no setor, que produziram 434,7 milhões de peças, faturamento de R$ 92,1 bilhões e 287,2 mil empregos gerados e US$ 769,3 milhões em exportação.
Na análise de José Lopes Aquino, presidente do Sima e da indústria Colibri Móveis, o setor vive momentos de incertezas diante de desafios internos da economia, com os juros altos, escassez de mão-de-obra qualificada, aliada ao retorno da inflação com consequente queda no poder de compra.
“Como agravante, temos agora as consequências externas trazidas pelo conflito Irã X Israel/EUA, causando desequilíbrio no preço do petróleo gerando elevação dos custos logísticos e desabastecimento. Neste momento estamos com elevação de custos de matérias-primas e de fretes nacionais e internacionais, os quais elevam custos e consequentemente teremos elevação dos preços de vendas, o que certamente afetará o volume de vendas de nossas empresas”, pontua Aquino.
Ainda segundo o presidente do Sima, o setor estima que dificilmente haverá crescimento no volume de produção e venda neste ano, apesar da perspectiva de 6% de alta, especialmente no mercado nacional.
Preço dos móveis pode subir 10%
Os estudos iniciados pelo Sima demostram uma elevação de preços ao consumidor dos produtos próximos a 10%. “Através da elevação do preço do petróleo toda a cadeia produtiva é afetada com elevação de custos, muito por conta da elevação dos custos logísticos, mas também porque muito de nossas matérias-primas tem em seu componente resinas que são derivadas do petróleo”, explica o presidente do sindicato.
Ainda assim, Aquino ressalta que o setor moveleiro é resiliente e busca se reinventar diante das dificuldades. “Buscar eficiência nos processos internos para melhorar a produtividade é um caminho, mas também trabalhar o desenvolvimento de novos produtos e serviços que caibam no bolso do consumidor deve estar na pauta neste momento”, relata.
Para o especialista, no curto prazo a reação deve ser de buscar o equilíbrio entre oferta e demanda para que as margens não sejam aviltadas em demasia, visto que os agravantes da guerra devem perdurar até o final do ano, mesmo que haja uma solução do conflito nos próximos 30 dias.
“Para o longo prazo o investimento em novas tecnologias, melhorias de processos e produtos e a ampliação da base de clientes nacionais e internacionais devem ser o caminho que norteará nossas empresas. O Design será sempre um diferencial agregador”, analisa.
Monitoramento da situação
A Prefeitura de Arapongas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda, acompanha a situação de perto. De acordo com a titular da pasta, Claudia Lens, “a secretaria vem fazendo algumas análises junto ao mercado com o objetivo de desenvolver oportunidades que gerem melhoria e tragam resultados. Acredito que ações que fortaleçam o senso coletivo e a integração entre hélices sejam fundamentais, precisamos nos fortalecer em prol do todo”, detalha.
