Médicos residentes param por 24 horas

O dia de ontem foi de protestos para os 17 mil médicos residentes do País. Reivindicando reposição salarial, que não têm há cinco anos, a categoria realizou uma paralisação de 24 horas. Ao contrário de estados como Rio de Janeiro e São Paulo, onde o atendimento foi quase totalmente interrompido, os manifestantes paranaenses protestaram, mas não deixaram de atender a população.

No Hospital de Clínicas e no Hospital Evangélico, enquanto metade da equipe realizava a manifestação, a outra metade garantia o atendimento aos pacientes. No HC, houve concentração em frente à entrada do hospital às 10h, porém o atendimento não foi prejudicado. Nenhum paciente deixou de ser atendido e a fila de espera não foi maior que em dias normais. ?Nossa intenção não era parar o serviço e sim chamar a atenção da sociedade para nosso problema?, explicou o presidente da Associação dos Médicos Residentes do HC, Pedro Henrique de Almeida. Os residentes reivindicam um reajuste de 50% na bolsa de R$ 1.459,00, como compensação às perdas inflacionárias nos últimos cinco anos.

Em meio a um protesto de médicos residentes na inauguração do Centro de Atenção à Saúde, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na manhã dessa quinta-feira, o ministro da Saúde, Agenor Álvares, tomou uma medida inusitada. No momento de discursar, Agenor tirou um apito do bolso e começou a apitar junto com os manifestantes. Agenor também iria colocar um nariz vermelho de plástico, usado pelos manifestantes, mas foi impedido por uma assessora. O ministro da Saúde concordou com o protesto e disse que há um projeto nesse sentido em andamento.

Segundo informações divulgadas no site do Ministério da Educação, os ministros da Saúde e da Educação, Fernando Haddad, informaram que o valor das bolsas de residência médica será reajustado em 30% a partir de janeiro de 2007. O projeto de lei que estabelece o reajuste será enviado ao Congresso nos próximos dias. No caso das bolsas de residência que não são pagas pelo governo federal, o projeto prevê a integralização do reajuste até julho de 2007.

Apesar de a Associação Nacional de Médicos Residentes já estar considerando a proposta de reajuste de 30%, o líder dos residentes do HC considera a aprovação da proposta uma derrota. ?Pelo Índice Geral de Preços de Mercado, nossa bolsa teve uma desvalorização de 53,7% entre 2002 e 2005. Se aceitarmos a reposição de 30%, aceitaremos que nos paguem menos que em 2002?, argumentou Pedro. Ele ressaltou ainda que a recomposição salarial é apenas uma das reivindicações dos residentes. ?Tem de ser revista toda a política de residência médica, como melhores condições de trabalho, adequação da carga horária, maior oferta de vagas e acesso à informação?, disse.

Em entrevista à rádio Nacional, o presidente da Associação Nacional de Médicos Residentes, Marcos Paulo Barbosa, alertou que, em muitos casos, os médicos residentes estão sendo explorados ?O grande problema é que trabalhamos 60 horas semanais e o médico concursado no Distrito Federal, por exemplo, trabalha 20 horas e ganha cerca de R$ 2,3 mil. Então um residente equivale a três médicos. Muitas vezes, prefere-se contratar o residente do que três médicos e a gente acaba virando mão-de-obra barata. Não tem de pagar encargo trabalhista, então sai muito mais barato e a sobrecarga de trabalho é muito grande?. Hoje os médicos residentes voltam a atender normalmente.

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