Um cachalote, mamífero marinho da família de golfinhos e baleias, foi encontrado encalhado com vida na Ilha do Mel, no Litoral do Paraná, na manhã de quarta-feira (25/03). O cetáceo foi resgatado por uma equipe multidisciplinar do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no estado.
Após ser avistado por moradores locais, o animal recebeu os primeiros atendimentos ainda na praia, visando estabilização e preparo para o transporte. Em seguida, foi levado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD/UFPR), em Pontal do Paraná.
O registro chama a atenção pela raridade da espécie em regiões costeiras. O cachalote habita, em geral, águas oceânicas e distantes da zona costeira.
Cachalote resgatado na Ilha do Mel tinha marcas de mordidas de tubarão
A avaliação clínica revelou tratar-se de uma fêmea juvenil da espécie Kogia sp., conhecida como cachalote, com aproximadamente 2,10 metros de comprimento. O animal apresentava escoriações pelo corpo e marcas compatíveis com mordidas de tubarão-charuto.
O médico veterinário Felipe Fukumori, integrante do projeto, ressaltou a delicadeza do quadro clínico: “Estamos realizando todos os procedimentos necessários para estabilizar o animal, com suporte intensivo e monitoramento contínuo. As próximas horas são fundamentais para avaliar a resposta aos tratamentos iniciais”.
Importância científica do resgate
A gerente operacional do projeto, Liana Rosa, destacou a relevância científica do ocorrido: “Por ser um animal de hábitos oceânicos e discreto, muitos dos registros que temos nacionalmente estão relacionados às situações de encalhe. Cada ocorrência representa uma oportunidade importante de coleta de dados e compreensão sobre a biologia e as ameaças enfrentadas pelas espécies marinhas, incluindo espécies migratórias e de distribuição ainda pouco conhecida da espécie”.
O cachalote permanece sob cuidados especializados no Centro de Reabilitação da UFPR.
*Com informações da UFPR
