A Ilha do Mel, no litoral do Paraná, está passando por algumas mudanças de infraestrutura. Entre as principais medidas estão o controle de acesso à ilha, que deve entrar em vigor no primeiro semestre de 2026, e a implantação da rede de esgoto, com previsão de conclusão para o fim do ano.

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Para as reestruturações, o Governo do Estado criou um novo marco regulatório, que resolve lacunas da legislação anterior, garantindo o desenvolvimento sustentável de um dos principais atrativos turísticos do Paraná. Parte dessa transformação veio com a Unidade Administrativa da Ilha do Mel (Unadim), vinculada ao Instituto Água e Terra (IAT), centralizando a gestão dos serviços públicos e facilitando o acesso da população às informações sobre o Plano de Uso e Ocupação do Solo e as autorizações necessárias.

“A Ilha do Mel é uma preciosidade do ponto de vista ambiental e turístico. Existe uma preocupação de cada vez mais estruturá-la para fazer um bom receptivo e que seja boa para quem ali reside. O controle de acesso é uma necessidade, pois dará mais segurança, com reconhecimento facial, cadastro de moradores e visitantes, trazendo benefícios para quem vai à ilha ou vive nela”, defende o diretor-presidente do IAT, Everton Souza.

A Ilha do Mel tem uma limitação máxima de 11 mil pessoas, contando a população fixa, de moradores, e a flutuante, de turistas. Apenas neste verão a estimativa é que mais de 100 mil turistas passem pela ilha. O ano passado também já tinha registrado um grande aumento de turistas em relação a 2024 (de 203.877 para 247.020, salto de 21%). Com o controle de acesso, será possível aferir a quantidade efetiva na ilha, uma forma de garantir a manutenção da riqueza natural do espaço, que conta também com parque estadual e estação ecológica.

Como vai funcionar o controle de acesso da Ilha do Mel

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O controle de acesso funcionará da seguinte forma: por meio de um aplicativo ou de totens espalhados nas áreas de embarque em Pontal do Sul e Paranaguá, e de desembarque nas comunidades de Brasília e Encantadas, o turista poderá fazer o cadastro e comprar o ticket de acesso. Nas entradas da ilha, haverá um sistema de reconhecimento facial, catracas e digital para verificar a entrada da pessoa cadastrada, ocorrendo o mesmo na saída.

“Isso é importante para que seja possível controlar o número de visitantes e também porque, com a chegada do saneamento, precisamos ter um número máximo de pessoas na ilha para que o sistema suporte a demanda”, explica a coordenadora da Unadim, Rhayane Radomski. “O turista poderá permanecer pelo período que desejar, seja um, três, sete dias, pagando o valor correspondente.”

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Moradores e profissionais liberais também serão cadastrados para terem direito à isenção do pagamento da taxa de entrada na ilha. “Trata-se de uma área de preservação permanente. Precisamos ter esse cuidado, inclusive porque aqui vivem comunidades tradicionais. É uma forma de dar mais segurança tanto ao visitante quanto ao trabalhador que ingressa na ilha”, finaliza Rhayane. O IAT trabalha na portaria que regulamentará o processo de controle e isenção de entrada para grupos específicos.

Esgoto na ilha

O saneamento começou a ser implantado na Ilha do Mel. Com as licenças ambientais emitidas pelo IAT e entregues à Paranaguá Saneamento, concessionária responsável pelas obras, a expectativa é que o sistema de esgotamento sanitário seja concluído até dezembro deste ano. Os serviços começaram na localidade de Brasília.

As particularidades da ilha representam desafios. Enquanto nas cidades as ruas contam com um certo padrão, com vias de oito a até 12 metros de largura ou mais, a Ilha do Mel conta com trechos de cerca de 1,5 metro a 3 metros de largura. Por esses espaços, é necessário passar não só a rede de água e esgoto, mas também drenagem e energia.

“A principal característica da Ilha do Mel é a natureza, o seu aspecto natural, sem alterações visuais e sem urbanização como ocorre nas grandes cidades. O sistema de esgotamento sanitário atende a todos os critérios legais e utiliza técnicas que respeitam totalmente o meio ambiente e as limitações ambientais que a ilha impõe”, ressalta o diretor institucional do Grupo Iguá, que controla a Paranaguá Saneamento, João Rocha Moraes

Segundo a empresa, a execução das redes coletoras de esgoto na região de Brasília está praticamente encerrada. Serão cerca de 10 quilômetros de redes em toda a área habitada da ilha, com o sistema composto por duas estações de tratamento e 10 estações elevatórias de esgoto, sendo três em Brasília e sete em Encantadas.

As estações elevatórias têm como objetivo evitar que a tubulação fique muito profunda, uma vez que, por ser uma ilha, há afloramento de água, inviabilizando o tratamento convencional. Esse é um dos diferenciais do sistema que está sendo implantado na Ilha do Mel.