O caso de suspeita de um surto de infecção hospitalar em União da Vitória, na região Sul do estado, é investigado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). Um procedimento administrativo foi instaurado pela Promotoria de Justiça da comarca, motivada por uma denúncia anônima detalhando condições sanitárias graves no Hospital Regional da BR, administrado pela Sociedade Beneficente São Camilo.

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A denúncia recebida pelo Ministério Público descreve falhas na higienização das enfermarias e quartos de internação dos leitos do Sistema Público de Saúde (SUS). A acusação, detalhada no Diário Oficial do órgão, revela que a limpeza do hospital é deficiente e com frequência insuficiente para o número de ocupantes. Foi registrada a presença de sujeira visível e fezes no piso de quartos ocupados por 4 a 5 pacientes, a maioria idosas que fazem uso contínuo de fraldas descartáveis.

O hospital é apontado ainda de não realizar o descarte de resíduos de modo adequado. As lixeiras dos banheiros teriam capacidade insuficiente, gerando acúmulo de descarte inadequado de resíduos biológicos.

Possível surto de infecção pós-operatória

Além dos problemas apontados com relação a limpeza das enfermarias, a denúncia também foca no Centro Cirúrgico da unidade. Há relatos de pacientes que desenvolveram infecções logo após passarem por procedimentos cirúrgicos no hospital.

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Diante das acusações, o Ministério Público solicitou uma série de ações imediatas aos órgãos competentes. À vigilância sanitária, o MPPR solicitou uma inspeção in loco para verificar os protocolos de limpeza, desinfecção e o manejo de resíduos sólidos de saúde nos quartos e banheiros.

O MPPR pediu também uma averiguação para a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) sobre os índices reais de infecção pós-cirúrgica registrados nos últimos meses no Centro Cirúrgico.

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Procurada pela reportagem da Tribuna do Paraná, o Ministério Público informou que a Promotoria de Justiça de União da Vitória apura o procedimento administrativo instaurado e que a investigação encontra-se em estágio inicial e tramita sob sigilo.

Prefeitura de União da Vitória diz que realiza fiscalizações no Hospital

Em nota, a Prefeitura de União da Vitória informou que segue todas as ações fiscalizatórias previstas em lei e que os resultados são formalizados em documentos próprios e enviados aos órgãos competentes, “observadas as normas relativas ao sigilo administrativo, à proteção de dados e ao interesse público”.

O município esclareceu que respeita integralmente a atuação do Ministério Público do Paraná e presta todas as informações que sejam solicitadas, nos prazos que foram estabelecidos, “não sendo apropriado divulgar informações referentes a procedimentos administrativos ou investigatórios que possam estar protegidos por sigilo”.

Hospital Regional São Camilo diz que segue protocolos rigorosos de higienização

Em resposta à reportagem da Tribuna do Paraná, o Hospital Regional da Caridade Nossa Senhora Aparecida, administrado pela Sociedade Beneficente São Camilo, disse que segue protocolos rigorosos de higienização e saneamento ambiental em todas as suas dependências, em conformidade com a legislação vigente e as normas sanitárias aplicáveis.

A instituição informou que não foi notificado de qualquer procedimento ou apuração em andamento por parte do Ministério Público do Paraná (MPPR). No entanto, reiterou que toda manifestação ou denúncia é apurada com rigor, “seguindo protocolos institucionais e as normas vigentes”.

A Sociedade Beneficente São Camilo disse que a segurança dos pacientes e a qualidade assistencial são “prioridades absolutas” e que adota medidas necessárias para assegurar ambientes assistenciais seguros, no mais “elevados padrões de qualidade”.