O Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG), nos Campos Gerais do Paraná, realizou pela primeira vez a aplicação da polilaminina em um paciente com lesão medular aguda. O procedimento ocorreu no dia 23 de setembro.
O medicamento foi aplicado em um homem de 35 anos que fraturou a coluna após cair de um telhado. Empregado no setor de fumicultura (produção de tabaco), ele fazia a manutenção da estrutura quando sofreu o acidente.
A possibilidade de utilizar a substância surgiu quando o hospital identificou que o paciente atendia aos critérios exigidos para o tratamento. A equipe do neurocirurgia do HU-UEPG já conhecia os requisitos para a indicação, mas ainda precisava estabelecer contato com os responsáveis pelo estudo.
O procedimento exigiu a liberação do medicamento experimental pelo Laboratório Cristália e a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma equipe especializada do Rio de Janeiro foi até Ponta Grossa para orientar e acompanhar a aplicação.
Segundo informações do Bom Dia Paraná, da RPC TV, até esta segunda-feira (12), o homem segue internado no hospital para acompanhamento e reabilitação da lesão medular.
Como é a aplicação da polilaminina
A polilaminina é uma substância derivada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo que ajuda a orientar o crescimento das células. O medicamento experimental funciona como uma espécie de “andaime”, favorecendo a reconexão de células nervosas após uma lesão na medula espinhal.
Como ainda está em fase inicial de avaliação em humanos, seu uso ocorre em caráter compassivo, mediante análise individual e autorização dos órgãos competentes. A utilização da polilaminina é restrita a pacientes que atendam a critérios específicos: lesão na região torácica, trauma ocorrido há no máximo 72 horas, déficit neurológico completo e idade entre 18 e 72 anos.
Quando a doação do medicamento é aprovada, as aplicações são realizadas por neurocirurgiões credenciados. O procedimento consiste em uma punção medular, ou seja, uma injeção diretamente no local da lesão. Após a aplicação, a recuperação depende de uma reabilitação intensiva, com sessões diárias de fisioterapia.
