O sepultamento foi às 17h no Água Verde.

Morreu ontem, aos 87 anos, o fundador do jornal O Estado do Paraná, João Batista Moraes. João estava internado há vinte dias vítima de uma forte pneumonia e faleceu às 7h. Familiares e amigos compareceram ao velório no Cemitério Água Verde. O sepultamento ocorreu por volta das 17h.

João Batista de Moraes fez parte do grupo que se reuniu em 1951 para fundar o jornal, que começou funcionando em um prédio alugado, na Rua Vicente Machado. Depois, mudou com todo o grupo para a Rua Barão do Rio Branco. Ele só deixou O Estado em 1976, já na Cidade da Comunicação, no bairro Mercês, atual sede do jornal.

A fundação de O Estado do Paraná, lembrou Moraes em entrevista publicada em julho de 1984, além de levar informação aos leitores, teve uma pretensão política. O governador da época, Bento Munhoz da Rocha, havia vencido as eleições e todos os jornais da época eram ligados a adversários políticos do novo governador. João Batista de Moraes, junto com Martins Camargo, Aristhydes Mehry, Fernando Alonso Alves de Camargo e Guerra Rego criaram O Estado para preencher essa lacuna. No início as dificuldades foram grandes e, para levar o jornal adiante, foi necessário vender duas mil ações, para depois pensar em montar o parque gráfico. Com o dinheiro da venda das ações, foram adquiridos uma máquina retoplana e cinco linotipos – o suficiente para colocar o jornal na rua, no dia 17 de julho de 1951.

Bom humor

Douglas Roberto Moraes, filho de João, falou sobre o bom humor que o pai mantinha em qualquer situação. “Ele tratava todo mundo da mesma maneira. Era uma pessoa simples, e tinha um bom humor incrível. Além disso, gostava muito de festa e estava sempre alegre. Vivia na Boca Maldita com os amigos, discutindo qualquer tipo de assunto. E nunca perdia a chance de contar uma piada. Era uma pessoa fantástica”, lembra.

Um dos companheiros de João Batista nas conversas e discussões na Boca Maldita era Ivo Artur, trinta anos mais novo que o fundador de O Estado. “Pra ele não havia distinção de idade com os amigos. Fazia amizade com qualquer pessoa, não importando a idade. E, com uma facilidade tremenda, ele discutia qualquer tipo de assunto. Quando alguém tinha alguma dúvida na Boca Maldita, era só perguntar para o João, que ele sabia de tudo. Aprendi muito com ele e acredito que todo mundo que conviveu um pouco com o João deve ter aprendido muita coisa”, diz Ivo.